Blog

Quando as Estrelas Acordam (14) / When the Stars Awake (14)

27-07-2018 12:57

Quando as Estrelas Acordam (14)

 

    É de crer que estas dominações se vão esbatendo através das gerações futuras, porque a confusão vinda da dis­persão dos sentidos vai-se tornando cada vez menor, uma vez que cada ser humano tende para uma socialização cada vez mais orientada para a distinção do sentido dos jogos e das forças naturais com que os experimentamos. Aliás, não podemos esquecer que a Escola é cada vez mais uma ins­tituição onde cada ser humano é exposto à diversidade de tarefas, que implicam cooperação e colaboração no convívio e aprendizagem, sendo por isso necessária uma responsabili­dade comum no acesso à verdade que cada acto pedagógico implica. Mas, enquanto estas forças forem tão dominadoras e, por vezes, tão indistintas, convém que cada um faça catarses, depurações permanentes, para reflectir sobre a ordem e o sen­tido que está a dar à sua vida e examinar os conteúdos que está a registar na memória, não vão estes prejudicar a atitude de purificação necessária para o caminho do bem.

    A elevação é o estado prévio do pensamento e da ati­tude para o que se quer elevado. A vida é um valor elevado, não é um valor rebaixado nem rasteiro, logo, para a vivermos bem, teremos que passar progressivamente de um estado de dominação e ansiedade para um estado de contemplação e ata­raxia. Para um estado de regularidade e um sentimento tran­quilo pela grande confiança no valor da consciência moral e nos limites que nos transcendem, inclusive o limite da vida. Passar para a confiança na consciência como base da acção e fundamento elementar do juízo, bem como plataforma para todas as redes de comunicação corporal, mental e psíquica; razão de todas as sínteses que emergem da consciência de qual­quer ordem e de qualquer sentido. Ter confiança nos limites que nos transcendem e aceitá-los com simplicidade: o infinito, o absurdo ou a utopia, porque podemos fazer sempre juízo a partir do que é simples e real, bastando-nos um tal juízo para chegar ao que é potencial no pensamento, embora seja mais difícil de o conceber na existência. É uma condição especial para a vontade de em cada dia extrairmos de dentro de nós aquilo que temos e que vai-se revelando à medida que se vai fazendo a sua extracção.

    Importa, entretanto, explicar-se um pouco sobre o que se pretenderá atingir, quando se afirma que a vida é um valor ele­vado e a elevação um estado prévio do pensamento para o que se quer elevado!

    Numa análise de senso comum, “elevado” quer dizer “o que tem mais valor, o que está no alto”, ou ainda, “o que é mais alto”. Numa análise lexical, o termo poderá referir-se a: “sublime”, “nobre”, “forte”, etc. Pode concluir-se que é um termo polissémico, pois “sublime” estará associado à arte, “nobre” à ética, “forte” à psicologia e que é também um termo polar, pois podem ter-se os dois pólos: forte/débil, alto/baixo, nobre/vil, etc. Mas, tendo em conta que a vida é um dom que recebemos por um acto conjugado numa reciprocidade de amor, e que este acto é, em si, também uma dádiva por acção do corpo; então, a vida é um valor muito elevado, porque sendo um dom do amor e uma dádiva do corpo, quanto mais “longe” e mais livre a levarmos, mais próximos estaremos do limite do seu valor. E, embora este nos transcenda, sabemos que é feito de amor, que vem de longe e que de graça nos dá o corpo e a vida. Por isso, podemos dizer que o conceito “ele­vado”, em relação ao valor da vida, tem a ver com os termos “longe”, “além”, “sem medida”, sendo, por consequência, absolutamente elevado.

    A elevação é o estado prévio do pensamento e da atitude humana para o que se quer elevado, porque só conseguiremos chegar ”longe” com a nossa vida, se projectarmos o nosso pen­samento para o lugar das suas origens e, estas, estão “muito longe”, estão “muito além” da nossa existência. Além disso, sendo a atitude humana uma disposição para corresponder à dimensão mais pura e transcendente da vida, só através da forma prévia da elevação do nosso ser, seremos capazes de forçar o nosso pensamento a chegar “tão longe” quanto nos for possível.

    Sabemos que à medida que vamos vivendo e experimen­tando a nossa relação com os elementos do mundo, nos vamos ligando a eles e deixando, pouco a pouco, que estes nos inter­pelem para uma atracção que parece nunca acabar. Cada coisa, cada lugar, cada pessoa, são objectos sociais com os quais con­vivemos e aos quais vamos buscar a nossa identidade. A nossa existência tem a ver com estas realidades; fazemos parte delas, de tal modo, que quando modificamos a rotina sentimo-nos um pouco baralhados.

    A nossa organização presta-se a estes cuidados, a estes sentimentos humanos e sociais, que têm o seu tempo pró­prio e que, por esta razão, nos obrigam a estar sempre muito atentos à sua trama. Às vezes, os nossos sentimentos estão car­regados de desejos para os quais deixamos de nos motivar: desejos extraídos de recordações da nossa existência, no que foi bom e causou prazer. São os conteúdos mais fortes e domi­nadores da nossa memória, a força da paixão a forçar-nos para a repetição de acções, que, nesta altura, poderiam ser ilícitas e serem intoleráveis socialmente.

    Ainda bem que a nossa sociedade é normativa, regula­-se, tendo em conta as leis naturais, e estrutura-se através de normas sociais. É esta composição jurídica que nos vai permi­tindo o equilíbrio e permitindo poder viver em harmonia, pois como conta a História Geral do Direito, foi até aos nossos dias, durante muito pouco tempo, que o Direito Natural triunfou sozinho, como princípio da convivência entre os povos. Todos sentimos que há uma tendência no ser humano para a insatis­fação e, por esta razão, estamos permanentemente a extrair dos desejos já realizados, recordações que nos induzem na von­tade de actualizar tudo, e isto já não é possível devido à lógica do tempo e à irreversibilidade das transformações ocorridas. É de crer que a elevação como estado prévio do pensamento e da atitude possa projectar melhor e mais longe a nossa vida, mas para isso acontecer a nossa existência terá que ser sempre regulada pelo que é lícito, isto é, cada acto humano terá que ter como fundamento o que é lícito e moral, opondo-se, deste modo, ao que é ilícito e imoral.

    Sabemos que à medida que vamos envelhecendo vamos tendo mais consciência de que algo nos vai faltando na nossa realização, embora esta falta possa ser superada com outras experiências que o mistério da vida nos vai deixando sentir e ver. Em certas ocasiões da nossa existência, a força da nos­talgia por aquilo que se vai desvanecendo no viver de cada dia, a incerteza sobre as novidades e o poder das paixões que as novas experiências poderão ter na influência do nosso ser, tornam-se factores que determinam muito a nossa conduta, especialmente no sentido da abstracção irreflectida do que nem sempre é lícito.

    É do conhecimento geral que há uma tendência no ser humano para desejar experimentar aquilo que legalmente não lhe é permitido e que é socialmente condenável. A procura pelo interdito e o desejo da transgressão estão tão enraizados no corpo humano, que facilmente dominam o homem, fazendo com que este negue a elevação e se rebaixe ao valor da con­dição mais mundana da vida: a transgressão, a infidelidade e a corrupção. Ainda bem que o Homem, ao longo da História, compreendeu e aceitou que tem fraquezas e que, perante estas, deve subordinar-se à Lei, estando a mesma acima de todos.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 50 a 54.

 

 

When the Stars Awake (14)

 

It is to believe that these dominations will soften through the future generations, because confusion come from the dispersion of the senses will become even smaller, seeing that each human being tends to a socialization even more oriented to the distinction of the direction of the games and of the natural forces with which we experience them. Besides, we cannot forget that School is even more an institution where each human being is exposed to the diversity of tasks, which imply cooperation and collaboration in the social life and learning, being therefore necessary a common responsibility in the access to the truth that each pedagogical act implies. But, while these forces are so domineering and, sometimes, so indistinct, it is convenient that each one does catharses, permanent depurations, to reflect upon the order and the meaning he or she is giving to their life and to examine the contents that he or she is recording on their memory, just in case of these prejudice the attitude of necessary purification for the way of good.

Elevation is the previous state of the thought and of the attitude for what we want elevated. Life is an elevated value, it is neither a debased nor a common value; hence, for we to live it well, we will have to pass progressively from a state of domination and anxiety to a state of contemplation and ataraxy. To a state of regularity and to a tranquil feeling by the great confidence in the value of conscience and in the limits that transcend us, inclusively the limit of life. To pass to the confidence in conscience as a base of the action and elementary fundaments of the judgement, as well as a platform for all networks of bodily, mental and psychic communication; reason of all synthesis that emerge from conscience of any order and of any sense. To have confidence in the limits that transcend us and to accept them with simplicity: the infinite, the absurd or utopia, because we can always make a judgement from what is simple and real, and it is enough for us such a judgement to reach what is potential in thought, although it is more difficult to conceive it in the existence. It is a special condition for the will that each day we extract from within us what we have and that reveals itself as we make its extraction.

It matters, meanwhile, to explain ourselves a bit about what we intend to achieve, when we affirm that life is an elevated value and elevation a previous state of the thought for what we want elevated!

In a common sense analysis, “elevated” means “what has more value, what is above”, or even, “what is higher”. In a lexical analysis, the term may refer to: “sublime”, “noble”, “strong”, etc. we may conclude that it is a polysemic term, since “sublime” will be associated to art, “noble” to ethics, “strong” to psychology and it is also a polar term, since we can have both poles: strong/weak, high/low, noble/vile, etc. But, taking into account that life is a gift that we receive by an act conjugated in a reciprocity of love, and that this act is, in itself, also a present by the action of the body; then, a life is a very elevated value, because being a gift of love a present of the body, the “farther” and the more free we lead it, the closer we will be to the limit of its value. And, although this transcends us, we know that it is made of love, which comes from far and that for free gives us the body and life. Therefore, we may say that the concept “ele­vated”, in relation to the value of life, has to do with the terms “far”, “beyond”, “without measure”, being, consequently, absolutely elevated.

Elevation is the previous state of thought and of human attitude for what we want elevated, because we will only go ”far” with our life, if we project our thought to the place of its origins and, these, are “very far”, they are “far beyond” our existence. Besides that, being human attitude a disposition to correspond to the purest and transcendent dimension of life, only through the previous form of the elevation of our being, we will be capable of forcing our thought to go “so far” as it is possible for us.

We know that, as we are living and experiencing our relation with the elements of the world, we are connecting ourselves with them and letting, little by little, these to interpellate us to an attraction that seems to never end. Each thing, each place, each person, are social objects with which we live together e from which we are seeking our identity. Our existence has got to do with these realities; we are part of them, in such a way, that when we modify our routine we feel a bit confused.

Our organization is suitable for these cares, for these human and social feelings, which have their proper time and that, by this reason, oblige us to be always very attentive to their weft. Sometimes, our feelings are loaded with desires for which we stopped motivating ourselves: desires extracted from remembrances of our existence, in what was good and caused pleasure. It is the strongest and domineering contents of our memory, the strength of the passion forcing us to the repetition of actions, which, at this time, could be illicit and socially intolerable.

Fortunately, our society is normative, it regulates itself, taking into account the natural laws, and structures itself through social norms. It is this juridical composition that allows us the balance and allows us to live in harmony, since as the General History of Law, it was until our days, during very little time, that the Natural Law has triumphed alone, as a principle of the social life between peoples. We all feel that there is a tendency in the human being towards dissatisfaction and, by this reason, we are permanently extracting from the already fulfilled wishes, remembrances that induce us in the will to actualize everything, and this is no longer possible due to the logic of time and to the irreversibility of the occurred transformations. It is to believe that elevation as a previous state of the thought and of the attitude may project better and farther our life, but for that to happen, our existence will have to be always regulated by what is licit, that is, each human act will have to have as a fundament what is licit and moral, opposing, this way, to what is illicit and immoral.

We know that, as we grow old, we have more awareness that something is lacking to us in our realization, although this lack may be overcome with other experiences that the mystery of life is letting us feel and see. On certain occasions of our existence, the strength of the nostalgia for what is fading away in each day living, the uncertainty about the news and the power of the passions that new experiences might have in the influence of our being, become factors that determine very much our conduct, especially in the sense of the rash abstraction of what is not always licit.

It is of general knowledge that there is a tendency in the human being to wish to experience that which is not legally permitted to them and that is socially condemnable. The search for the interdict and the desire of transgression are so rooted in the human body, that they easily dominate man, making him to deny elevation and to debase himself to the value of the most mundane condition of life: transgression, unfaithfulness and corruption. Fortunately, Man, throughout History, understood and accepted that he has weaknesses and that, before these, he ought to subordinate himself to the Law, being this above all.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 50 to 54.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (13) / When the Stars Awake (13)

06-07-2018 19:38

Quando as Estrelas Acordam (13)

 

    Deve dizer-se, em todos os aspectos, que o termo Idealidade terá de estar relacionado com o real; no entanto, sabendo nós que cada situação desejada e cada circunstância que a con­diciona dificilmente coincidirão com a nossa vontade e possi­bilidade, tornar-se-á necessário que o termo seja concrescível com a nossa atitude voluntária, que o termo cresça com a nossa disposição dinâmica, para podermos conceber ser possível atingir o real. É preciso que pela nossa acção ele se abra e se acrescente nos limites do ideal (como por exemplo no ideal de família), para poder manifestar-se depois nos domínios do rea­lizar e do sentir o real na totalidade. A idealidade e o volunta­rismo na motivação tornam-se emergentes na nossa acção. Só através de um limite ampliado (ou seja, através da Idealidade), se podem abstrair todos os limites, mesmo nas circunstâncias em que julgaríamos racionalmente tal não ser possível.

    Ser voluntário é proceder por vontade própria, é pro­ceder sem estar à espera de qualquer contrapartida. Proceder pela idealidade em relação à vida é também proceder voluntariamente com a disponibilidade que nos for possível para a interpretar em todas as dimensões que a constituem. Procedendo deste modo, mais facilmente compreenderemos que a vida, pela sua natureza dinâmica, surgirá em todas as formas afins, independentemente da nossa vontade, embora possamos conjugar toda a nossa força e inteligência para a defender e a tornar melhor; sem esquecer os limites da nossa fé, para podermos ser mais confiantes, sobretudo quando esti­vermos perante casos de uma grande incerteza. Logo, pela mesma razão, compreenderemos que a vida e que a nossa consciência, sobre cada situação, indicam uma globalidade que o poder humano será capaz de poder experimentar de modo certo e seguro, embora dessa globalidade apenas possa apreender algumas partes, pois o homem é uma totalidade que participa de toda a globalidade, mas isso só é possível na con­dição de essência e singularidade existencial.

    Por consequência, devemos proceder voluntariamente para que a razão e entendimento possam configurar a vida num estado natural em que se apreenda o sentimento e o conhecimento fundamentadores da acção e estes possam ser a expressão de uma adaptação pura, uma adaptação volun­tária à idealidade e ao seu movimento. Acrescente-se, no entanto, que a atitude que será inerente a esta acção, que nos tornará mais nobres e mais conjugados nos valores, nesta outra idade, não deverá ser uma atitude para estar de acordo com tudo quanto acontece no mundo e na nossa vida. Mesmo que a acção de pensar e agir sejam precedidas de uma intenção, que se estruturou num movimento a priori e as nossas decisões tenham como fundamentos maiores a clemência e a tolerância. Aliás, estas qualidades morais devem tornar-se em forças motivadoras da acção crítica e de toda a condenação pelo que estiver mal e for injusto.

    A nossa atitude perante o mundo deverá ser permanente­mente de preocupação com a dinâmica social e natural. O que quer dizer que a nossa vivência não poderá deslocar a nossa responsabilidade na acção para a crença de que o que acontece já está determinado e nada poderemos fazer para evitar seja o que for, aceitando que tudo na ordem natural ou humana acontece por razões completamente estranhas à nossa vontade. Não podemos convencer-nos que somos apenas elementos do Universo e que nada poderemos fazer senão vivermos segundo a natureza dos elementos e, neste caso, segundo a nossa pró­pria natureza, que é muito limitada e está condicionada pelas transformações e movimentos da ordem cósmica.

    Pensar assim, e proceder desta maneira, será admitir a Idealidade como um movimento onde tudo estará rigida­mente inscrito e será accionado por um acelerador de movi­mentos automáticos, concretizando-se estes pelos conteúdos, que de modo aleatório farão os actos da vida. Ao proceder deste modo, nós só nos limitaríamos a viver no tempo como nos limitaríamos também a esperar que se formassem as expressões elementares durante o mesmo. Na Idealidade, a nossa atitude passa a ser mais rigorosa que nas idades ante­riores, pois já não se tratará de nos limitarmos a acontecer no tempo, mas de acontecermos com uma maior atenção, que exi­girá uma maior envolvência, e, como tal, a nossa máxima res­ponsabilidade. É evidente que esta acção para corresponder aos nossos anseios implicará as capacidades do rigor e da auto­nomia e exigirá de cada um de nós que tenha controladas em si mesmo, todas as dominações do corpo e subjugações em que se encontre a alma. É exigível, a cada um de nós, que estas dominações sejam constantemente reguladas pelas capaci­dades racionais e mentais, até aos limites em que os estados psicológicos, negativos ou positivos, precisem para se equili­brarem em todo o organismo humano.

    Para uma acção rigorosa e autónoma não basta a nossa aspiração estar centrada num desejo imanente da atenção e da elevação ao estado contemplativo de todas as coisas. É preciso que o viver de cada um não se torne ensombrado pelo movi­mento corporal e mental, não concorrendo desta forma para as soluções de equilíbrio necessário que é produzido através das sínteses de complemento positivo, a começar pela acção bioló­gica e a terminar na acção cultural. Serão os movimentos e as soluções que ligarão as tensões psicológicas, biológicas e cultu­rais à harmonia que a Idealidade trará a cada um, quando, pela elevação do pensamento, superar o estado de confusão e con­flito que as dominações desequilibradas gerarão em qualquer momento. É nestas situações que muitas vezes algumas pes­soas caem em descrença sobre o auxílio divino que surge na caminhada de cada um de nós.

    Para uma acção rigorosa e autónoma, é preciso ter para além do desejo imanente de elevação até ao estado contempla­tivo, uma constante vigilância sobre o sentido da nossa orien­tação. Estas dominações têm muita força, porque surgem com as nossas raízes e, por muito que sejamos orientados pela edu­cação e cultura, existem na nossa matriz elementos puros que facilmente são combináveis com elementos adulterados na sua natureza e, por consequência, transformam os elementos puros em elementos impuros. No nosso crescimento e desen­volvimento misturam-se as forças dos jogos da vida, confun­dindo-se, por vezes, o papel e as funções dos elementos natu­rais, arrastando a sua natureza até ao lado mais negativo do jogo, que é a perversão. E, mesmo que não se experimentem na acção os efeitos desta mistura nos prazeres do que é per­verso, ficam sempre registadas na memória as imagens dos movimentos que conduziram aos efeitos dos pensamentos con­cebidos perversamente. Estas são forças da nossa vida, actuam enquanto vivemos, seguem a direcção que as imagens susten­tarem, dirigem-se para a contemplação de cada momento na alegria de amanhã ou para a inquietação de cada momento de recordação e sofrimento pelo que tivermos vivido na angústia de ontem. Não se pode apagar a memória, mas podem encher­-se os espaços vazios com imagens de acontecimentos que sublimem o que foi perverso e acendam a luz da alma com o fogo das estrelas que arde infinitamente no céu e nos inter­pela no pensamento para atingirmos a verdade que lá está.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 46 a 50.

 

 

When the Stars Awake (13)

 

We must say that, in all respects, that the term Ideality will have to be related to the real; nevertheless, since we know that each desired situation and each circumstance that conditions it will hardly coincide with our will and possi­bility, it will become necessary that the term is attainable with our voluntary attitude, that the term grows with our dynamic disposition, so that we can conceive to be possible to reach the real. It is necessary that, by our action, it is opened and that it adds itself within the limits of the ideal (as for example in the ideal of family), so that it can manifest itself after in the domains of accomplishing and of feeling the real in its totality. Ideality and voluntarism in motivation become emergent in our action. Only through an enlarged limit (that is, through Ideality), we may abstract all limits, even in the circumstances in which we would think rationally that such was not possible.

To be voluntary is to proceed by one’s will, it is to proceed without expecting any compensation. To proceed by ideality in relation to life is to proceed also voluntarily with the availability that is possible to us to interpret it in all dimensions that constitute it. By proceeding this way, we will comprehend more easily that life, by its dynamic nature, will emerge in all akin forms, regardless of our will, although we may conjugate all our strength and intelligence to defend it and render it better; without us forgetting the limits of our faith, in order for us to be more confident, especially when we are before cases of great uncertainty. Therefore, by the same reason, we will comprehend that life and that our conscience, about each situation, indicate a globality that the human power will be able to experience in a certain and safe way, although from that globality it may only apprehend some parts, since man is a totality that shares all globality, but that is only possible on the condition of essence and existential singularity.

By consequence, we ought to proceed voluntarily so that reason and understanding may configure life in a natural state in which we apprehend the feeling and the knowledge that fundament action and in which these may be the expression of a pure adaptation, a voluntary adaptation to ideality and its movement. We should add, however, that the attitude which will be inherent to this action, which will be make us more noble and more conjugated in the values, in this other age, should not be an attitude to be in accordance with everything that happens in the world and in our life. Even if the action of thinking and acting are preceded by an intention, which has been structured in an a priori movement and if our decisions have as greater fundaments clemency and tolerance. Besides, these moral qualities ought to become motivating forces of critical action and of every condemnation by what is wrong and is unfair.

Our attitude before the world ought to be permanently of concern with the social and natural dynamic. Which means that our experience cannot transfer our responsibility in action to the belief that what happens is already determined and that we cannot do anything to avoid whatever may be, accepting that everything in the natural or human order happens by reasons completely strange to our will. We cannot convince ourselves that we are only elements of the Universe and that we cannot do anything but to live according to the nature of the elements and, in this case, according to our own nature, which is very limited and is conditioned by the transformations and movements of the cosmic order.

To think so, and to proceed this way, will be to admit Ideality as a movement where everything will be rigidly inscribed and will be actioned by an accelerator of automatic movements, concretizing these by the contents, which will randomly do the acts of life. By proceeding this way, we would only limit ourselves to live in time, as we would limit ourselves also to wait for the elementary expressions to be formed during the same. In Ideality, our attitude starts being more rigorous than in the previous ages, since the question will be no longer of limiting ourselves to happen in time, but of us happening with a greater attention, which will demand a greater context and, as such, our maximum res­ponsibility. It is evident that for this action to correspond to our longings it will imply the capabilities of rigor and of autonomy and it will demand from each one of us to have controlled in ourselves all the dominations of the body and subjugations the soul finds itself in. It is demandable, from each one of us, that these dominations are constantly regulated by the rational and mental capabilities, up to the limits in which the psychological states, negative or positive, need to be to balance themselves in the whole human organism.

For a rigorous and autonomous action it is not enough our aspiration to be centered in an immanent wish of attention and of elevation to the contemplative state of all things. It is necessary that the life of each one does not become overshadowed by the bodily and mental movement, not contributing by this way to the solutions of necessary balance that is produced through the syntheses of positive complement, beginning with the biological action and finishing in the cultural action. It will be the movements and the solutions that will connect the psychological, biological and cultural tensions to the harmony that Ideality will bring to each one, when, by the elevation of the thought, he or she overcomes the state of confusion and conflict that the unbalanced dominations will generate at any moment. It is in these situations that many times some people fall in disbelief in the divine assistance that appears in the walk of each one of us.

For a rigorous and autonomous action, it is necessary to have, beyond the immanent wish of the elevation up to the contemplative state, a constant vigilance over the direction of our orientation. These dominations have much strength, because they emerge with our roots and, no matter how much we are guided by education and culture, there exist in our matrix pure elements that are easily combinable with adulterated elements in their nature and, by consequence, they transform the pure elements in impure elements. In our growth and development, the forces of the games of life mix with each other, muddling up, at times, the role and the functions of the natural elements, dragging its nature down to the most negative side of the game, which is perversion. And, even if we do not experience in the action the effects of this mixture in the pleasures of what is perverse, the images of the movements that led to the effects of the thoughts conceived perversely remain always in the memory. These are the forces of our life, they act while we live, they follow the direction that the images sustain, they head towards the contemplation of each moment in the joy of tomorrow or towards the inquietude of each moment of remembrance and suffering by what we lived in the anguish of yesterday. We cannot erase the memory, but we can fill the empty spaces with images of events that sublimate what has been perverse and that kindle the light of the soul with the fire of the stars that burns infinitely in the sky and interpellates us in the thought to reach the truth that is there.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 46 to 50.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (12) / When the Stars Awake (12)

15-06-2018 18:32

Quando as Estrelas Acordam (12)

 

    Para uma referência mais explícita sobre o termo, convém relacioná-lo com o real e não somente com o ideal, pois nós pensamos sobre a vida, mas também a vivemos e a experimen­tamos. Ou seja, a nossa existência pressupõe uma relação com o imediato e com o concreto; temos desejos e somos motivados, temos necessidades e não podemos viver sem as realizar, pro­duzimos bens e definimos o seu valor. Por tudo isto, não pode­remos viver sem estar constantemente a situar a nossa exis­tência, nem podemos viver sem actuar através de um processo de identificação social e sem avaliarmos cada acto e cada circunstância como realidades da vida. Esta certeza leva­-nos a procurar manter uma boa harmonia com todos os ele­mentos naturais, mas também humanos e sociais, pois depen­demos deles e, em certos casos, eles tornam-se tão vitais que vale a pena analisarmos outro elemento natural para verifi­carmos que, quando adulterado, provocará uma reacção extre­mamente negativa na nossa saúde. Portanto, a aspiração para a elevação do nosso espírito até à consciência suprema acon­tece numa idade singular, mas a sua origem está localizada em todo o nosso tempo e em tudo o que é concreto como em tudo o que é abstracto. Logo, a Idealidade será o movimento para a abstracção e elevação do espírito, mas os fundamentos da realidade concreta, as raízes da nossa existência, serão a força, a direcção e a pureza que este movimento deverá ter. Por consequência, terá de haver harmonia entre a vida e a saúde, entre o concreto e o abstracto, entre o ideal e o real, porque esta será necessária desde o nascimento e por toda a vida. Esta harmonia terá de ser uma condição permanente da existência, reconhecendo, contudo, que a nossa vida poderá ser alterada transitoriamente por um problema de saúde, acreditando, no entanto, que neste caso uma solução médica a fará voltar ao seu estado normal.

    Com este preâmbulo, procurámos anunciar a importância de mais um elemento natural, que neste caso é o elemento ar, tentando mostrar que função desempenha e qual a sua impor­tância em toda a nossa vida, nomeadamente na digressão da vida física e espiritual e, em simultâneo, contextualizar a sua importância na propensão para pensarmos na emergência da idealidade para sermos mais felizes e vivermos melhor a vida.

    Chama-se ar à massa gasosa que constitui a atmosfera da Terra.[      5 ] A pressão atmosférica é o peso de uma coluna de ar, de base 1 cm2, considerada desde a superfície terrestre até ao limite superior da atmosfera. Uma coluna de 1 m2 de base pesa mais de 10 toneladas, pois a pressão atmosférica normal, ao nível do mar, é de 1,033 kg/cm2. A constituição da atmos­fera varia com a altura. O ar compõe-se de nitrogénio (78%), oxigénio (21%), gases nobres (argónio, neónio, etc.) e bióxido de carbono.

    Esta mistura torna-se cada vez mais rarefeita até alcançar uns 100 km de altura, dividindo-se em três camadas principais diferentes: a troposfera (de uns 6 a 8 km de altura nos pólos e uns 16 no Equador), a estratosfera (de 70 a 80 km) e a ionos­fera, onde começa a dominar um ar rarefeito muito electrizado ou ionizado. Além dos 400 km de altura, na metasfera, só há hidrogénio; depois de outros 400 km, na protosfera, as molé­culas foram destruídas pelas radiações solares. Os átomos de hidrogénio perderam os seus electrões, ficando apenas com os seus núcleos, os protões. Somente uma parte dos raios solares e da radiação cósmica chega à Terra através da atmosfera. O ar, actuando como tela, evita que a Terra e as suas formas de vida sejam danificadas pelas partículas que, deslocando­-se no espaço, tendem a penetrar na atmosfera. O calor do Sol e as altas temperaturas do interior da Terra aquecem a camada de ar mais próxima à superfície terrestre. Os mares e conti­nentes mantêm diferentes temperaturas, cedendo parte do seu calor e humidade. Por isso, a temperatura do ar, e portanto a sua densidade e pressão, não são uniformes em toda a super­fície terrestre, o que origina essa máquina térmica incomensu­rável, que produz as mudanças climatológicas e os ventos. Os seres vivos adaptaram-se para utilizar o oxigénio do ar, que, com a respiração, passa aos pulmões, é absorvido pelo sangue e chega até às células, onde se produz a combustão. O ar exa­lado contém o bióxido de carbono (CO2) como produto resi­dual. O ar deve conter determinada quantidade de oxigénio para que os “fornos” das células possam trabalhar de maneira satisfatória. Tanto um excesso como uma carência de oxigénio originam sintomas de envenenamento.

    A luz do Sol origina nas plantas a função clorofilina (assi­milação), pela qual as plantas libertam o oxigénio por elas retido, que volta novamente ao ar, enquanto o carbono é por elas retido, para constituir o material do seu desenvolvimento. O ar, além de ser uma camada de protecção para todas as formas de vida da Terra, encerra uma enorme reserva de oxi­génio, que torna possível o processo vital. O ar absorve muita energia solar. Nas camadas superiores, a intensa luz do Sol ori­gina temperaturas de agitação molecular superiores a 1000°C. A uma altura de algumas dezenas de quilómetros, a tempera­tura é de quase 0°C, decrescendo rapidamente até –60°C, a 10 quilómetros da superfície terrestre. O ar vai se aquecendo len­tamente, à medida que diminui a distância até à terra, devido à radiação térmica da superfície terrestre.

    Nas grandes cidades, dificilmente se consegue encher os pulmões de ar puro. Este é poluído pelos fumos das fábricas e dos automóveis; a humidade condensa-se junto com as partí­culas de carvão existente no ar, dando origem a uma nuvem de pó ou fumo. Estas condições agravam-se quando não há vento ou a cidade é rodeada por montanhas que impedem a circu­lação do ar. Neste caso, forma-se o “smog” (névoa rente ao solo, que impede a ascensão da fumaça e dos gases do tráfego).

    Tanto o Homem como a Natureza sofrem as consequên­cias das impurezas contidas no ar; estas contribuem para o aumento de infecções nas vias respiratórias, asma, cancro pulmonar e outras doenças.

    As armas nucleares têm contaminado a atmosfera (camada gasosa que envolve a Terra) com resíduos radioactivos, que se vão depositando sobre a superfície terrestre. As correntes de ar disseminam esses resíduos sobre zonas extensíssimas. O mesmo acontece com o anidrido sulfuroso, originado da fumaça das grandes zonas industriais. Esse gás mistura-se com o vapor da água e cai em forma de chuva, sobre a terra; por isso, os metais estragam-se por corrosão e a água dos lagos torna-se ácida, exterminando os peixes.

    É por acção da Natureza que se faz a purificação do ar, pois o calor do Sol obriga a água a seguir certo ciclo entre as nuvens da atmosfera e a superfície terrestre. Dessa maneira, o ar mantém-se sempre com certa humidade.

    O bióxido de carbono originado dos incêndios, por exemplo, e também do ar expelido pelos animais, vai-se depo­sitando junto ao solo. As plantas fazem então as vezes de purificadores de ar, absorvendo bióxido de carbono e despren­dendo oxigénio.

    Por tudo isto, mais uma vez deve dizer-se que devemos procurar manter uma boa harmonia entre o ambiente e os ele­mentos que o constituem; deles dependemos para viver e não é possível uma digressão física saudável se não procurarmos desenvolver formas de organização que mantenham os espaços verdes, para que o meio se estruture e se transforme tendo em conta a sua raiz vital. Devemos ser voluntários na aceitação do espaço real em detrimento do espaço ideal, porque a idea­lidade surge também da existência dos elementos naturais, que, com o seu poder, harmonizam o que parece faltar para o espaço ideal e fazem sonhar com a idealidade espacial, que é mais dinâmica que o ideal do espaço real.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 42 a 46.



[  5 ] Enciclopédia Combi Visual (Grolier), Volume N.º 1, Tema “Ar, Vida e Ambiente”.

 

 

When the Stars Awake (12)

 

For a more explicit reference about the term, it is convenient to relate it to the real and not only to the ideal, since we think about life, but we also live it and experience it. That is, our existence presuppose a relation to the immediate and to the concrete; we have wishes and are motivated, we have needs and we cannot live without fulfil them, we produce goods and define its value. For all this, we cannot live without being constantly situating our existence nor can we live without acting through a process of social identification and without evaluating each act and each circumstance as realities of life. This certainty lead us to try to keep a good harmony with all the natural elements, but also the human and social ones, since we depend on them and, in certain cases, they become so vital that it is worth to analyze another natural element to verify that, when adulterated, it will provoke an extremely negative reaction on our health. Therefore, the aspiration to the elevation of our spirit up to the supreme conscience happens in a singular age, but its origin is located in all of our time and in all that is concrete like in everything that is abstract. So, Ideality will be the movement to the abstraction and elevation of the spirit, but the foundations of concrete reality, the roots of our existence, will be the strength, the direction and the purity that this movement should have. Consequently, there will have to be harmony between life and health, between the concrete and the abstract, between the ideal and the real, because it will be necessary since birth and for all the life. This harmony will have to be a permanent condition of existence, acknowledging, however, that our life may be altered transitorily by a health problem, believing, nevertheless, that in this case a medical solution will bring it back to its normal state.

With this preamble, we sought to announce the importance of one more natural element, which in this case is the element air, trying to show which function it performs and what is its importance in all our life, namely in the digression of physical and spiritual life and, simultaneously, to contextualize its importance in the propensity to think about the emergence of ideality for us to be happier and to live life better.

We call air to the gaseous mass that constitutes the Earth atmosphere.[  55 ] The atmospheric pressure is the weight of an air column, of 1 cm2 [0.155 in2] base, considered from the terrestrial surface up to the atmosphere’s upper limit. A column of 1 m2 [10.76 ft2] base weighs more than 10 tons [22 046.23 lb] , since the normal atmospheric pressure, at the sea level, is of 1.033 kg/cm2 [14.69 PSI]. The atmosphere’s constitution varies with the altitude. Air is composed by nitrogen (78%), oxygen (21%), rare gases (argon, neon, etc.) and carbon dioxide.

This mixture becomes even more rarefied until it reaches about 100 km [62.14 mi] of altitude, and it is divided into three different main layers: the troposphere (from about 6 km up to 8 km [3.73 mi up to 4.97 mi] of altitude at the poles and about 16 km [9.94 mi] at the Equator), the stratosphere (from 70 km up to 80 km [43.5 mi up to 49.71 mi]) and the ionosphere, where a very electrified or ionized and rarified air starts to dominate. Beyond 400 km [248.55 mi] of altitude, in the metasphere, there is only hydrogen; after another 400 km [248.55 mi], in the protosphere, mole­cules have been destroyed by solar radiations. Hydrogen atoms have lost their electrons, remaining only their nuclei, the protons. Only a part of solar rays and of cosmic radiation comes to Earth through the atmosphere. Air, acting as a screen, avoids that Earth and its life forms are damaged by the particles that, moving in space, tend to penetrate in the atmosphere. Sun’s heat and the high temperatures within Earth’s interior heat up the air layer nearest to the terrestrial surface. Seas and conti­nents keep different temperatures, giving part of its heat and humidity. Therefore, air’s temperature, and consequently its density and pressure, are not uniform on the entire terrestrial surface, which originates that incommensu­rable thermal machine, which produces climatological changes and the winds. Living beings have adapted themselves to use oxygen from the air, which, by breathing, passes to the lungs, is absorbed by the blood and reaches cells, where combustion is produced. The exhaled air contains carbon dioxide (CO2) as a residual product. Air must contain a certain amount of oxygen so that the cells’ ovens may work in a satisfactory manner. Both an excess and a lack of oxygen originate symptoms of poisoning.

Sunlight produces in plants the chlorophyllous function (assimilation), by which plants liberate oxygen retained by them, which goes back to air, while carbon is retained by them to constitute the material of their development. Air, besides being a protection layer for all forms of life on Earth, contains a huge oxygen reserve, which makes the vital process possible. Air absorbs a lot of solar energy. In the upper layers, the intense sunlight ori­ginates temperatures of molecular agitation greater than 1000°C [1832°F]. At an altitude of some dozens of kilometers, tempera­ture is of almost 0°C [32°F], decreasing rapidly down to –60°C [-37.28°F], 10 kilometers [6.21 miles] above terrestrial surface. Air heats slowly as the distance to earth diminishes, due to the thermal radiation of the terrestrial surface.

In big cities, we hardly can fill the lungs with pure air. It is polluted by the factories’ and automobiles’ smokes; humidity condenses itself together with particles of the existent charcoal in the air, giving origin to a cloud of dust or smoke. These conditions become worse when there is no wind or when the city is surrounded by mountains that prevent air circulation. In this case, “smog” is formed (fog close to the ground, which prevents the ascension of the thick smoke and of traffic gases).

Both Man and Nature suffer the consequences from the impurities contained in the air; these contribute to the increase of infections in the respiratory tract, asthma, lung cancer and other diseases.

Nuclear weapons have contaminated the atmosphere (gaseous layer that envelops Earth) with radioactive residues, which are being deposited over the terrestrial surface. Air currents disseminate those residues over very extense areas. The same happens with sulphurous anhydride, originated from the thick smoke of big industrial areas. That gas mixes itself with water vapor and drops under the form of rain, over earth; therefore, metals are deteriorated by corrosion and the lakes’ water becomes acid, exterminating the fishes.

It is by action of Nature that we do air purification, since the Sun heat forces water to follow a certain cycle between the atmosphere clouds and terrestrial surface. That way, air always keeps a certain moisture.

Carbon dioxide originated from fires, for example, and also from the air expelled by animals, is being deposited close to the ground. Plants then do the turn of air purifiers, absorbing carbon dioxide and liberation oxygen.

For all this, once more we should say that we must try to keep a good harmony between the environment and the elements that constitute it; we depend on them to live and it is not possible a healthy physical excursion if we do not seek to develop ways of organization that maintain the green spaces, so that the environment structures and transforms itself taking into account its vital root. We should be voluntary in the acceptance of the real space to the detriment of the ideal space, because ideality emerges also from the existence of the natural elements, which, with its power, harmonize what seems to be missing to the ideal space and make dream of spatial ideality, which is more dynamic than the real space.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 42 to 46.



[5] Visual Encyclopedia Combi (Grolier), Volume N.º 1, Theme “Air, Life and Environment”.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (11) / When the Stars Awake (11)

23-05-2018 14:01

Quando as Estrelas Acordam (11)

 

Um produto com forma dinâmica, que nos interpela e nos situa no caminho que tem a direcção para o Guia que nos convida, para o Guia com quem volun­tariamente comungaremos e com quem passaremos a viver espiritualmente.

    Porém, apesar de o nosso ser passar a participar desta nova ordem e, em simultâneo, possibilitar o acontecer das coisas numa espontaneidade natural, isso não significa que tais acon­tecimentos não tenham que ter uma atenção e vigilância regu­lares da nossa parte, pois só estas acções controladoras podem detectar o estado das situações da vida. Se nos limitarmos a interceptar o curso dos acontecimentos, se não reflectirmos nem nos interrogarmos sobre as situações que preparamos ou que nos ocorrem, por que havemos de nos preocupar com as nossas origens e com o lugar que ocupamos no Universo? A nossa existência tem que ter sentido e fazer sentido, por isso é que precisamos sempre de saber qual a base em que nos apoiamos para seguir e qual a orientação que seguimos, e esta acção não é possível sem orientação controlada. Se assim não fizermos, a idealidade não é o que aspiramos e o ideal é um objecto formal de que nos servimos, com o qual responde­remos a todas as formas de pressão, argumentando que a rea­lidade já não é como era dantes e, por isso, todas as dinâmicas são expressão do caos que não poderemos evitar. Tudo decor­rerá num processo normal como na idade anterior em que somos mais reflexos, só que, nesta ocasião da vida, todas as bases se estruturam nas diversas combinações com o indivi­dual, o social e o cultural e as percepções relacionam-nos com as ideias e também com a dinâmica mutável dos pensamentos e dos desejos. E como não podemos apreender com consciência numa velocidade superior ao pensamento nem conseguimos estabilizar os pensamentos de uma forma automática, é fun­damental, para a vivência na idealidade, o estado da normali­dade das referências, a motivação para o que é regular e a inte­gração destas realidades na dinâmica que terá as bases dos ideais, mas induzirá cada um de nós para uma amplitude do pensamento ajustável e não rigidamente fixo. Não se cami­nhará com a cabeça no ar e os pés acima da terra, mas inter­pelaremos melhor o que é infinito e atemporal, que não é tão aceitável, se nos fixarmos em pensamentos rígidos com rela­ções de globalidade física.

    É a causalidade que é a razão das causas, a imponderabi­lidade a razão da ausência de gravidade e a leveza a condição para o que sobe. São condições prévias necessárias ao pensa­mento para o reconhecimento da possibilidade das causas.

    Na Vida, há também uma relação condicional para a sua existência. No caso da forma da vida humana, ela está como as outras formas em certas condições; de um modo especial, nas condições de duração e mudança, ascensão e transformação, podendo, no entanto, distinguir-se, visto que as outras formas de vida dependem de uma adaptação natural, enquanto que a vida humana, através da inteligência e do conhecimento, força o movimento e a mudança com vista à descoberta. Neste caso, a adaptação ocorrerá como consequência necessária e pela possibilidade supranatural. É o reconhecimento prévio da existência destas condições puras possíveis, que torna maior a nossa satisfação pela consequente elevação da nossa consciência sobre a motivação e imaginação do que nos será possível neste reino dos fins. É grande a satisfação por termos estas possibilidades, por podermos evoluir dos ideais para a idealidade. Por podermos, nesta idade singular, nesta idade em que as estrelas acordam, ter a idade em que se abrem todos os limites para vivermos melhor a nossa vida e a experimen­tarmos até à transcendência.

    Deve dizer-se que a adaptação de que falamos, como res­posta necessária, confirma a certeza da possibilidade de sermos o agente principal para o processo necessário da adaptação, mas também para o estado voluntário em que vai radicar este processo, uma vez que aspiramos a viver através do que podemos controlar, acreditando que viveremos ainda melhor através do poder da fé e através da confiança que temos na protecção Daquele que nos guia e sabe, melhor do que nós, até onde cada coisa é humanamente controlável: agimos pela nossa vontade, mas também acreditamos e temos confiança que a nossa acção, em liberdade e moderadamente voluntária, não deixará de ser acompanhada e protegida divinamente.

    Na análise deste raciocínio e das partes que o compõem, podemos ser, com alguma tolerância, levemente induzidos para a ideia de que somos um ser de acções mais involuntá­rias do que o contrário. Pois se agimos pela nossa vontade, com a consciência de que podemos controlar as acções, logo, caímos na incerteza desta possibilidade, por as mesmas pro­duzirem consequências que podem atingir dimensões que excedam o controlo humano e se estendam até ao mistério divino. Então, o que experimentamos só será aparentemente controlável e nós, como agentes de cada acção, nunca pode­remos ser totalmente voluntários nem nunca poderemos agir de modo absolutamente livre.

    Esta será a ideia-base em que poderemos instruir o nosso raciocínio, sobre sermos um agente de acções mais involun­tárias do que o contrário, uma vez que somos condicionados pelo desconhecimento dos limites do nosso controlo. Neste sentido, só poderemos considerar que seremos agentes nas acções cujos limites conhecemos e estas serão coincidentes com a nossa liberdade moderada. E se, ainda, considerarmos que podemos proceder, em certas situações, pela nossa vontade e liberdade, embora, no caso, sejamos agentes, autores e actores (como quando compomos uma música, executamos um trecho musical ou analisamos o resultado produzido). Ou então, dando maior ênfase ao facto de que procedemos em certas situações de modo involuntário, sendo apenas actores, como por exemplo: pestanejar, respirar ou movimentar a rótula; teremos no conjunto destas razões os requisitos fundamen­tais para um tal raciocínio, para um raciocínio sobre o acto de ser voluntário, ser um acto limitado e não absolutamente livre, logo, aparentemente podermos ser induzidos a pensar que não poderemos ser tão voluntários nas acções como pensamos nem sermos tão livres como desejamos.

    No entanto, quando procedemos tendo como base a consciência dos nossos actos, a vontade de os praticarmos e o conhecimento das nossas limitações, se acreditarmos que o poder para realizar tudo isto não nos vem apenas de nós pró­prios, mas Daquele que está connosco, não deixaremos de ser autores e actores legítimos e o nosso estado de ser voluntário tornar-se-á autêntico, porque à nossa legitimidade poderemos acrescentar, também, a máxima divina: “Senhor, faça-se a Tua vontade porque Tu estás presente na minha.”

    Aliás, será nesta doação da vida e nesta nova atitude que também melhor se poderá experimentar o sentimento e a emoção da Idealidade, porque tudo estará sempre em juízo, mas realizar-se-á para além do próprio ser e a idealidade tornar-se-á no movimento para a procura do sentido da nossa vida e da transcendência na acção humana.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 38 a 42.

 

 

When the Stars Awake (11)

 

A product with a dynamic form, which interpellates us and places on the way that has the direction to the Guide who invites us, to the Guide with whom we will voluntarily take communion and with whom we will start living spiritually.

However, even though our being starts sharing this new order and, simultaneously, making possible the happening of things in a natural spontaneity, that does not mean that such events should not have regular attention and vigilance on our part, since only these controlling actions can detect the state of the situations of life. If we limit ourselves to intercept the course of the events, if we do not reflect nor interrogate ourselves about the situations we prepare or that occur to us, why do we have to concern ourselves with our origins and with the place we occupy in the Universe? Our existence must have meaning and make sense; that is why we always need to know what is the base by which we are supported to go on, and this action is not possible without controlled orientation. If we do not do so, ideality is not what we aspire to, and the ideal is a formal object we make use of, with which we will respond to all forms of pressure, arguing that reality is no longer as before and, therefore, all dynamics are expression of the chaos we cannot avoid. Everything will run in a normal process as in the previous age in which we are more instinctive, but, on this occasion of life, all bases are structured in the various combinations with the individual, the social and the cultural, and the perceptions relate us to the ideas and also with the mutable dynamics of the thoughts and wishes. And since we cannot apprehend with conscience with a speed greater than the thought nor can we stabilize the thoughts in an automatic way, it is fundamental, to the living in ideality, the state of the normalcy of references, the motivation for what is regular and the integration of these realities in the dynamics that will have the bases of the ideals, but it will induce each one of us to an amplitude of the adjustable thought and not rigidly fixed. We will not walk with the head in the air and the feet above the earth, but we will interpellate better what is infinite and atemporal, which is not so acceptable, if we fix ourselves on rigid thoughts with relations of physical globality.

It is causality that is the reason of causes, it is imponderabi­lity the reason of the absence of gravity and it is lightness the condition for what goes up. They are previous necessary conditions to the thought for the acknowledgement of the possibility of the causes.

In life, there is also a conditional relation for its existence. In the case of the form of human life, it is like the other forms in certain conditions; in a special way, within the conditions of duration and change, ascension and transformation, but they may be distinguished, since the other forms of life depend upon a natural adaptation, while human life, through intelligence and knowledge, forces the movement and the change with a view to discovery. In this case, the adaptation will occur as a necessary consequence and by the supernatural possibility. It is the previous acknowledgement of the existence of these possible pure conditions that makes greater our satisfaction for the consequent elevation of our conscience above the motivation and imagination of what will be possible to us within this realm of the ends. It is great the satisfaction for us having these possibilities, for us being able to evolve from the ideals to ideality. For us being able, in this singular age, in this age in which the stars awake, to have the age in which all limits are opened for us to live better our life and to experience it up to transcendence.

It should be said that the adaptation we speak of, as a necessary response, confirms the certainty of the possibility of us being the main agent to the necessary process of adaptation, but also to the voluntary state on which this process will base, seeing that we aspire to live through what we can control, believing that we will live even better through the power of faith and through the confidence we have in the protection of That Who guides us and knows, better than ourselves, up to where each thing is humanly controllable: we act by our will, but we also believe and have confidence that our action, in freedom and moderately voluntary, will not stop being divinely accompanied and protected.

In the analysis of this reasoning and of the parts that compose it, we may be, with some tolerance, lightly induced to the idea that we are a being of more involuntary actions than otherwise. Since if we act by our will, with the conscience that we can control our actions, then we fall upon the uncertainty of this possibility, for the same ones produce consequences that may reach dimensions that exceed human control and extend themselves to the divine mystery. So, what we experience will only be apparently controllable and we, as agents of each action, could never be totally voluntary nor could we act in an absolutely free way.

This will be the basic idea on which we may instruct our reasoning, about us being an agent of more involuntary actions than otherwise, seeing that we are conditioned by the ignorance of the limits of our control. In this sense, we may only consider that we will be agents on the actions whose limits we know, and these will be coincident with our moderate freedom. And if, still, consider that we may proceed, in certain situations, by our will and freedom, although, in the case, we are agents, authors and actors (like when we compose a music, perform a piece of music or analyze the produced outcome). Or else, giving greater emphasis to the fact that we proceed in certain situations in an involuntary way, being only actors, like for example: winking, breathing or moving the kneecap; we will have within the group of these reasons the fundamental requirements for such a reasoning, for a reasoning about the act of being voluntary, of being a limited act and not absolutely free, therefore we may apparently be induced to think that we could neither be so voluntary in the actions as we think nor be so free as we wish.

Nevertheless, when we proceed having conscience as the base of our acts, the will to practice them and the knowledge of our limitations, if we believe that the power to fulfill all this will not come to us only from ourselves, but from That Who is with us, we will not stop being legitimate authors and actors, and our state of being voluntary will become authentic, because to our legitimacy we may add, too, the divine maxim: “Lord, Thy will be done because Thou are present in mine.”

Furthermore, it will in this donation of life and with this new attitude that one may better experience the feeling and the emotion of Ideality, because everything will always be in judgement, but it will realize itself beyond the being itself and Ideality will become the movement to the search for the meaning of our life and of the transcendence in human action.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 38 to 42.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (10) / When the Stars Awake (10)

19-04-2018 13:31

Quando as Estrelas Acordam (10)

 

    Esta Idealidade torna-se no pensamento que busca o infi­nito e os desígnios de toda a beleza que nos é possível idea­lizar; torna-se numa aspiração que tende para se viver a vida em toda a plenitude, mesmo que os valores (que constituímos como normas morais, em certos actos) só permitam experi­mentarmos as formas como essência e como claridade, que, neste caso, só poderão possibilitar a vontade de não dese­jarmos nenhuma parte da existência, para podermos divina­mente comungar do espírito que espalha o alimento de todas as transcendências. Nesta dimensão do pensar e agir, já não haverá lugar para o ciúme, a inveja, a infidelidade; já não exis­tirão mais estas sombras de uma luz que está durante muito tempo em nós de forma invertida; uma luz que ilumina para o passado, para a nossa ancestralidade; uma luz que, afinal de contas, todos temos, mas quando fica colocada nessa direcção tempo demais, as sombras começarão a cegar-nos e, por conse­quência, a confundir-nos na razão e nos sentidos. Agora, com­pletamente livres e com a luz da vida a apontar na direcção do infinito, aquilo que antes era tão grande e tão valioso, tornar­-se-á, a partir desta nova compreensão, numa realidade muito pequenina e tão repentinamente vulgar. Tudo o que é humana­mente tangível tornar-se-á em sinais de referência longínqua, tornar-se-á em pequenos caracteres de uma escrita natural que é apenas indicadora e que não tem outra função que não seja a de interpelar-nos para a leitura instantânea e para as muta­ções dos pensamentos, conforme as ondas da nossa cerebrali­zação forem sensibilizadas.

    Agora, completamente livres, dar-nos-emos numa entrega sem resistência e sem nenhuma perda na nossa consciência; mover-nos-emos num espaço com a forma do nosso tempo e com o poder da nossa sensibilidade, mais do que com o poder da vontade e da nossa razão. Sentiremos o que acon­tece e como acontece, mas viveremos através das transforma­ções na mutabilidade da vida. Ligados pela existência a um nicho que nos faz acontecer com os exemplos terrenos e com as experiências das próprias transformações, vamo-nos apeando numa entrega sem competir com as efemeridades que só pro­porcionam reflexos da vida.

    Nesta idade singular, ganhar-se-á a consciência das portas e janelas do nosso espírito, portas que não terão fechos para utilizar na abertura ou fechamento, portas e janelas para ver o exterior e receber um certo ar no interior; portas que sempre abríramos, mas que não tínhamos consciência nem capacidade para compreender que as deveríamos utilizar e manter abertas, pela razão natural de não esquecermos os outros lugares da nossa casa, uma vez que só se poderá viver através de todos eles e pela abertura infinita das ligações da vida.

    As portas e as janelas que se abrem nesta idade, com a consciência das várias possibilidades, são nesta altura outros mirantes e entradas permanentes para ver e alcançar pela idealidade aquilo que o poder das sensações e da razão não chegam para serem capazes. Não é que nesta altura vivamos descentrados da nossa individualidade, mas buscamos plata­formas que tendem para a impessoalidade e, se nestas plata­formas integrarmos a nossa existência e marca, também nelas formaremos redes de opções várias para as aberturas sociais possíveis, que atingirão a nossa dimensão essencial com expe­riências que nos inclinam para a totalidade da verdade. O que pensáramos antes como projectos de vida vivem-se, neste modo, não em linhas fechadas mas em linhas com várias direc­ções, numa energia espiritual que instantaneamente nos faz a adaptação e a forma do sentimento próprio, no qual a razão depois se ajusta. Já não se tratará de uma relação entre o obser­vador e o observado, mas entre estes e o que se completa com o vivente e o interceptado. Se o relativo persistir no nosso pen­samento, é porque a direcção que demos ao nosso acto foi acti­vada pelo que nos interpelou, mas depressa apreenderemos que aquilo que estamos a viver de modo relativo é somente até a nossa razão poder apreender e a nossa adaptação poder gerar uma nova mudança universal. Já não serão suficientes a razão e as sensações; tornar-se-ão evidentes as estrelas que comunicam pela luz, os pensamentos que ganham forma e os corpos que sentem o pulsar da vida; todos os elementos vitais darão sinal, conforme o nosso juízo, no sentido da orientação.

    Nesta idade singular, seremos conforme a vida, o caminho e a verdade, porque a comunhão com a transcendência não se poderá encenar como, de modo inconsciente, o pudéramos antes. Durante muito tempo, fomos muito mais actores do que autores; depois, mais autores do que actores; até que chegamos à fase da Idealidade, que sinto e que proponho que alcancem, com as estrelas que todos temos e com as quais podemos ser intérpretes, com a consciência da nossa liberdade e inteli­gência. A razão que fundamenta esta excelsa e nova oportu­nidade baseia-se no facto de já termos, nesta ocasião da vida, todos os ingredientes necessários para emergirmos de dentro de nós (de dentro da nossa memória individual e social) com as respostas para vivermos e interceptarmos a totalidade ime­diata da solução que precisamos perante as diversas situa­ções. A intuição ganha, nesta altura, a vantagem sobre qual­quer outra via de conhecimento: os actos do espírito tangem a razão, de tal forma que o que pensamos, julgamos ser ainda uma imagem, mas rapidamente constatamos que já é um pro­duto mais elaborado.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 35 a 38.

 

 

When the Stars Awake (10)

 

This Ideality becomes the thought that seeks the infinite and the designs of all beauty that is possible for us to idealize; it becomes an aspiration that tends for us to live life in all its plenitude, even if the values (which we constitute as moral norms, on certain acts) only allow us to experience the forms as essence and as clarity, which, in this case, only may make possible the will to not wish any part of the existence, for us to divinely share the same spirit that spreads the nutriment of all transcendences. Within this dimension of thinking and acting, there will be no more place to jealousy, to envy, to unfaithfulness; there will be no more these shadows of a light that is for very long time within us in an inverted way; a light that illuminates to the pasts, to our ancestry; a light that, after all, we all have, but when it stays put on that direction too much time, the shadows will begin to blind us and, by consequence, to confound us in reason and in the senses. Now, com­pletely free and with the light of life pointing towards the direction of the infinite, that which before was so great and valuable, will become, from this new comprehension, a very little and so suddenly vulgar reality. Everything that is humanly tangible will become signs of a distant reference, it will become small characters of a natural writing that is only indicative and that has no other function but that of interpellating us to the instant reading and to the mutations of the thoughts, as the waves of our cerebralization are sensitized.

Now, completely free, we will give ourselves in a commitment without resistance and without any loss in our conscience; we will move ourselves in a space with the form of our time and with the power of our sensitivity, more than with the power of will and of our reason. We will feel what happens and how it happens, but we will live through the transformations in the mutability of life. Connected by the existence to a niche that makes us happen with the earthly examples and with the experiences of transformations themselves, we will get off in a commitment without competing with the ephemeralities that provide only the reflections of life.

In this singular age, we will gain consciousness of the doors and windows of our spirit, doors that will not have latches to use in the opening or shutting up, doors and windows to see the exterior and to receive a certain air in the interior; doors that we had always opened, but that we did neither have the conscience nor capability to understand that we should use them and keep them open, by the natural reason to not forget the other places of our home, since we may only live through all of them and by the infinite opening of the life connections.

The doors and windows that are opened in this age, with the consciousness of several possibilities, are at this time other belvederes and permanent entrances to see and achieve by ideality that which the power of sensations and of reason do not suffice to be capable of. It is not that at this time we live decentered from our individuality, but we seek platforms that tend to impersonality and, if on these platforms we integrate our existence and mark, we will also form nets of several options to the possible social openings, which will reach our essential dimension with experiences that incline us to the totality of the truth. What we had thought before as life projects are lived, in this way, not in closed lines but in lines with several directions, in a spiritual energy that instantly makes us the adaptation and the form of the proper feeling, in which the reason adjusts itself later. It will no longer be about a relation between the observer and the observed, but between these and what is completed with the living and the intercepted. If the relative persists in our thought, it is because the direction we gave to our act was activated by what interpellated us, but soon we will apprehend that that which we are living in a relative way is solely until our reason can apprehend and our adaptation can generate a new universal change. It will no longer suffice reason and sensations;  it will become evident the stars that communicate through light, the thoughts that take form and the bodies that feel the pulsation of life; all the vital elements will give a sign, according to our judgement, on the direction of orientation.

In this age, we will be in accordance with life, the way and the truth, because communion with transcendence will not be possible to simulate, in an unconscious way, as it was before. For a long time, we were much more actors than authors; later, more authors than actors; until we reach the phase of Ideality, which I feel and propose you achieve, with the stars we all have and with which we can be interpreters, with the consciousness of our liberty and intelligence. The reason that substantiates this sublime and new opportunity is grounded in the fact that we already have, on this occasion of life, all the necessary ingredients for us to emerge from within ourselves (from within our individual and social memory) with the answers for us to live and intercept the immediate totality of the solution we need in the face of diverse situations. Intuition wins, at this time, the  advantage over any other way of knowledge: the acts of the spirit touch reason, in such a way that what we think, we judge it like an image, but quickly we notice that it is already a more elaborate product.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 35 to 38.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (9) / When the Stars Awake (9)

28-03-2018 20:49

Quando as Estrelas Acordam (9)

 

    A Geração toma várias formas e acontece na ordem do tempo que marca a nossa vida, mas se as várias formas são entes dos seres, estes podem ser reais e visíveis mas também ideais e invisíveis. Logo, é nesta quietude real, no silêncio do visível ou da invisibilidade e num deslumbramento indes­critível, que bebemos agora, gota a gota, da fonte da geração e da água – viva, que tanto desejáramos antes de entrarmos nesta dimensão e, por isso, agora já não sentimos a sede que sentíramos quando caminhávamos no deserto das provações e quando as estrelas ainda dormiam sem que nós soubéssemos que tínhamos dentro de nós a sua luz. As sensações são agora estímulos de uma harmonia com vista ao encontro de Deus que até na sensação de angústia criam acordes da expressão de uma qualquer sinfonia da regeneração infinita.

    Ao meditarmos em certos acontecimentos trágicos que marcaram o fim da vida de algumas pessoas, por sua pró­pria autoria, sentimos uma grande perplexidade em entender as causas, apesar de tudo, sempre hipotéticas, que levaram algumas pessoas a desistirem de continuar a viver. Existem casos de sofrimento, completamente inexplicáveis perante os mistérios do Amor de Deus, mas a vida é um dom e o seu tempo é um prémio que nem todos aguentam as vicissitudes por que têm de passar para o poder receber.

    Talvez possam também existir certas disfunções, que levam à desarmonia da relação entre as estrelas, a alma e o espí­rito, pois existiram seres humanos que não conseguiram esta harmonia e a dor não os deixou viver até à redenção suprema; suprimiu-lhes esta glória, cegou-os com tanto martírio, que estes não foram capazes de viver a vida até à última gota, até ao seu fim natural. Quem sabe, se existem estas disfunções? – Mas, se existem, por que é que existem? Sendo a vida humana um dom e o viver a experiência desta graciosidade, vemos que nem sempre os exemplos são semelhantes no caminho para a glorificação de cada um, pois alguns não aguentam e atentam contra a sua própria vida. Há quem entenda o martírio como a condição para a purificação e para a Santidade. Não é de crer que esta seja a condição excelsa nem que seja sequer a condição necessária para chegarmos aos limites da proximidade divina.

    Todo o sofrimento humano e o sofrimento do Mundo têm tido como tributo a anunciação da Lei através do Amor; acção profética e salvífica que a descarnou de todas as formas para a inscrever no coração do homem e para a tornar em Lei que todo o ser humano sinta e manifeste pela acção e pelo pensa­mento, de uma maneira tão natural, como a reacção das pálpe­bras perante a acção forte dos raios solares. Foi anunciada a Lei através do Amor e divinamente proclamada como manda­mento novo: “Que os homens não só se reconhecessem como semelhantes, mas também se amassem uns aos outros como Jesus Cristo os amou”. Ora, amando Jesus os homens, através do perdão incondicional, Ele foi encarnando todo o martírio e libertando o semelhante de todo o sofrimento. Por isso, não é de crer que o martírio seja uma condição humana e também não é de crer que seja a condição para a aspiração divina.

    Certamente que estas disfunções, prováveis, complexas e que perturbam a pessoa no caminhar para a paz e para a tranquilidade do espírito, mesmo nas pequenas perturbações do ambiente fisiológico, psíquico e mental do homem, resul­tarão da desarmonia entre as estrelas, a alma e o espírito, pois estas perturbações são proporcionais ao sentimento que cresce ou diminui conforme a intensidade imediata da aflição que nos perturba. É neste estado de confusão, de angústia e sofri­mento, que poderemos perder a fé que nos socorre no caminho para onde caminha a nossa existência, levando, nas situações mais dramáticas, algumas pessoas à descrença radical no valor da vida e a atentarem contra o dom da mesma. O que vale à Humanidade, para não sermos mais a experimentar este acto de forma tão inesperada e trágica, é conseguirmos nas grandes crises existenciais o equilíbrio entre a luta pelo caminho da vida e a vontade de viver. Serão estes factores que, tornando­-se na força e no poder para nos desviar de tais pensamentos trágicos, nos ajudarão perante o desânimo a fortalecer a nossa fé e nos incitarão a caminhar para o mistério da vida que está para além de todas as condições possíveis.

    Quando as estrelas acordam, já não só sentimos e pen­samos pela apetência natural da alma, como passamos a ser orientados pelas luzes das estrelas celestes, que irradiam em nós uma certa energia propulsora da vida, tornando-se nesta função em constituintes que excedem os elementos físicos e as porções de matéria; tornando-se em algo, de que não temos plena consciência, mas que arriscamos traduzir num pensa­mento simplificado: o Sol é para a Galáxia como a Terra e a Lua são para a geração e criação dos seres vivos, sendo as estrelas os guias luminosos e energéticos que intervêm na geração e criação de todos os seres do Universo.

    Quando se acende em nós esta nova luz, que ilumina o caminho por onde vai a nossa vida e para onde se eleva o nosso pensamento, surge uma conexão entre a liberdade de viver e a vontade de seguir sem perguntar por onde vamos; surge a satisfação de reconhecermos não termos necessidade de saber com precisão qual a forma do pensamento que nos dirige na direcção da nossa vida. A partir desta altura, tudo está consumado, conforme a dinâmica da idealidade, que se torna na matriz do pensar e agir e nos induz para as formas que ganham os pensamentos na marcação do tempo em que vamos vivendo. Já não se tratará de viver somente nas condi­ções dos projectos ou de viver entre o que é notável e prefe­rível; de viver entre o que é efémero e o que permanece; tratar­-se-á de viver e pensar seguindo a vida e seguindo o espírito, mais do que os projectos; tratar-se-á de viver com a verdade e pela verdade que se alcança com o que é eterno e em cada plano da idealidade. A Idealidade não será um modelo de uma percepção qualquer, mas de uma percepção que se manifesta na existência pelos elementos que a exprimem e que se tornam na centelha que nos interpela para a visão do ser de que fazem parte. Por exemplo, o elemento da cor atinge-se pelos seres das cores; o elemento da forma atinge-se pelos seres elementares das formas; o elemento da grandeza alcança-se pelos seres que são extensos; e assim sucessivamente.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 32 a 35.

 

 

When the Stars Awake (9)

 

Generation takes several forms and happens within the order of time that marks our life, but if the several forms are beings, these may be real and visible but also ideal and invisible. Hence, it is in this real quietude, in the silence of the visible or of the invisibility, which we drink now, drop by drop, from the source of generation and of living water, which we desired so much before we enter this dimension and, therefore, we no longer feel the thirst we felt when we walked in the desert of tribulations and when the stars were still sleeping without us knowing that we had its light inside us. Sensations are now stimuli of a harmony with a view to the meeting with God that even in the sensation of anguish create chords of the expression of any symphony of infinite regeneration.

When we meditate upon certain tragic events that have marked the end of some people’s life, by their own authorship, we feel a great perplexity in understanding the causes, despite everything, always hypothetic, that led some people to give up on living. There are cases of suffering, completely unexplainable before the mysteries of the Love of God, but life is a gift and its time is a prize that not everyone stands the vicissitudes by which they have to go through in order to receive it.

Maybe there may exist certain dysfunctions, which lead to the disharmony of the relation between the stars, the soul and the spirit, since there were human beings who did not get this harmony and the pain did not let them live until supreme redemption; it has suppressed this glory, it has blinded them with so much martyrdom, that these were not able to live life to the very last drop, until its natural end. Who knows if there are these dysfunctions? – But, if they exist, why do they exist? Being human life a gift and the living the experience of this graciousness, we see that not always the examples are similar in the path to the glorification of each one, since some do not stand and attempt to their own life. There are some who understand martyrdom as the condition to purification and to Sanctity. It is not to believe that this is the sublime condition to reach the divine proximity.

All human suffering and world suffering have had as attribute the annunciation of the Law through Love; prophetical and salvific action that has stripped off of all forms to inscribe it in the heart of man and to make it a Law that every human being feels and manifests by action and by thought, in a way so natural as the reaction of the eyelids before the strong action of solar rays. The Law was announced through Love and divinely proclaimed as a new commandment: “That men not only recognized each other as their fellow creatures, but also that they loved each other like Jesus Christ loved them”. Well, because Jesus loved men, through unconditional forgiveness, He was incarnating all martyrdom and liberating the fellow creature from all the suffering. Therefore, it is not to believe that martyrdom is a human condition and it is not to believe that is the condition to the divine aspiration.

Certainly these dysfunctions, probable, complex and that disturb the person in the walk towards peace and towards tranquility of spirit, even in the little disturbances of the physiological, psychic and mental environment of man, will result from disharmony between stars, soul and spirit, since these disturbances are proportional to the feeling that grows or diminishes as the immediate intensity of affliction disturbs us. It is within this state of confusion, of anguish and suffering, that we may lose the faith that aids us in the way to where our existence walks, leading, in the most dramatic situations, some people to radical disbelief in the value of life and to attempt on the gift of it. What is worth to Mankind, to not be more people experiencing this act in so unexpected and tragic way, is that we obtain, in the great existential crises, the balance between the fight for the path of life and the will to live. It will be these factors that, becoming the strength and power to deviate us from such tragic thoughts, will help us in the presence of discouragement to strengthen our faith and will incite us to walk towards the mystery of life that is beyond all the possible conditions.

When the stars awake, we already not only feel and think by the natural appetency of the soul, but we also start being oriented by the lights of the celestial stars, which irradiate within ourselves a certain propelling energy of life, becoming this function in constituents that exceed the physical elements and the portions of matter; becoming something, of which we are not fully aware, but that we risk to translate to a simplified thought: the Sun is to the Galaxy what the earth and the Moon are to the generation and creation of the living beings, and the stars are the luminous and energetic guides who intervene in the generation and creation of all beings of the Universe.

When this new light is kindled within ourselves, which illuminates the way through where our life goes and to where our thought is elevated, it emerges a connection between the freedom to live and the will to follow without asking where we go; it emerges the satisfaction of acknowledging that we do not need to know precisely what is the form of thought that directs us in the direction of our life. From this time on, everything is consummated, according to the dynamics of ideality, which becomes the matrix of thinking and acting and which induce us to the forms that gain the thoughts in the indication of the time we are living in. It will no longer be about living solely in the conditions of the projects or about living between what is notable and preferable; about living between what is ephemeral and what remains; it will be about living and thinking by following life and following the spirit, more than the projects; it will be about living with the truth and by the truth that is reached with what is eternal and in each plane of ideality. Ideality will not be a model of any perception, but of a perception that manifests itself in the existence by the elements that express it and that become the spark that interpellates us to the vision of the being they are part of. For example, the element of color is reached by the beings of colors; the element of form is reached by the elemental beings of forms; the element of largeness is reached by the beings that are extensive; and so on.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 32 to 35.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (8) / When the Stars Awake (8)

06-02-2018 13:03

Quando as Estrelas Acordam (8)

 

    Diz-se muitas vezes que a verdade é um valor que vale conforme o que significa e para ser aceite deve ser objec­tiva – os factos devem falar por si. Mas de que valor esta­remos nós a falar, quando falamos da verdade? Podemos falar da verdade do conhecimento, da verdade do tempo, da ver­dade do espaço; podemos exemplificar que é verdade que ontem o tempo esteve melhor do que hoje, que era falso que a Terra era o centro da nossa galáxia e estava imóvel e que o espaço era absoluto e imutável. Mas que verdade é esta de que estamos a falar, senão uma verdade finita e temporal? E se aquilo que é finito pode ser verdadeiro, não significa que não dependa da compreensão humana na identificação perfeita do seu referente. Logo, tenderá a ser rectificada porque está sujeita a limitações.

    Mas qual será então, a verdade que é eterna? Direi, num simples pensamento: o que é eternamente verdadeiro é a Verdade Infinita com Aquele que É o seu espírito. A ver­dade do que é finito não tem senão um valor limitado e, às vezes, de convenção; termina no seu limite de eficácia, alcança­-se pela nossa história, mas não é sempre avaliada do mesmo modo em todos os lugares e muda com a história dos tempos e, muitas vezes, pela vontade das pessoas.

    É o hábito para o infinito que nos faz caminhar na verdade e com ela; mesmo que sejamos sujeitos condicionados pela nossa história e participemos do que é finito e susceptível de mudar com o tempo, nós não nos acostumamos ao que parece e usamos sempre a inteligência para encaminharmos a vida para o ser, que é aquilo que é, e por ser neste modo participa da verdade eterna.

    Por isso, a nossa educação deverá ser para moldarmo-nos numa doação aos valores, mesmo aos valores finitos, como os materiais ou utilitários, que, não sendo sempre, são enquanto nos são necessários; e se a nossa doação for sobretudo aos valores infinitos, aos valores que não acabam (como no caso da alma ou do espírito, da verdade e da vida), o homem cami­nhará melhor na verdade e tudo fará para evitar a falsidade que é própria da finitude.

    Um ideal poderá ser um perfil, mas também uma refe­rência; um ideal será uma matriz do pensamento, pelo qual cada um tende a procurar um caminho para chegar com a vida e com a existência a um lugar onde julga aportar com segu­rança e encontrar algumas certezas para a sua felicidade.

    Ao usarmos os elementos da natureza e ao sentirmos que uma parte nos fascina e outra nos atemoriza, que uma parte nos afecta a sensibilidade de modo positivo e outra nos afecta de modo negativo, somos induzidos para ver na razão nega­tiva os perigos que ocorrem na nossa vida. No entanto, destes não se poderá concluir que o horror seja de ordem natural nem que a nossa sensibilidade seja perfeita em todas as quali­dades. Se o horror fosse essência, só o experimentaríamos em abstracto, o que não acontece de todo, já que se pode constatar nas várias tragédias humanas que o horror é um efeito nas consequências cujas causas são maioritariamente de natureza humana. Se o horror existe é porque temos medo do que nos possa acontecer por sermos frágeis e humanizarmos demais os perigos. A Natureza não tem uma essência cruel e vingativa, nós é que cada vez a profanamos mais e lhe retiramos factores de regeneração e defesa, enfraquecendo o poder da harmonia entre o equilíbrio das formas naturais e o poder das suas forças. Somos excessivamente aventureiros e ousamos desafiar todos os limites sem ter em conta a sua necessidade para o nosso equilíbrio e melhor sobrevivência. Se algo de trágico nos acon­tece por acção natural, é porque somos parte da natureza e a ela estamos sujeitos, mas isso é excepção à regra da ordem, e quando acontece algo trágico por força natural foi porque alguma coisa a provocou no aleatório. O mesmo não se poderá dizer em relação à acção do homem quando este se expõe aos perigos e não considera os limites das suas condições ao desa­fiar o poder do Cosmos. Nestas condições, haverá grandes pro­babilidades para acontecimentos trágicos, mas a culpa não é da natureza, porque ela tem origem no homem e na vontade de este praticar acções de consequências incontroláveis.

    Numa idade singular, as estrelas acordam para não estarmos mais sob a força do efeito das condições que nos inclinam para as pressões sociais e para a pressão que cada um já exerce sobre si ao longo da sua caminhada com vista a iden­tificar-se com as referências da sua identidade social. A partir desta idade, as estrelas que foram anteriormente os sensores da nossa vida são agora as luzes de que o espírito se serve para que a alma não fique mais às cegas nem prisioneira no homem quando a este lhe falta a razão.

    Durante muito tempo as estrelas dormem dentro de nós sem darmos conta disso; neste período da nossa vida, servem para nos protegerem e para nos tornarem mais iluminados na noite e mais fortes no dia; servem os desígnios da força divina, da coragem e da beleza; servem, afinal de contas, o nosso pró­prio sonho, para o começarmos a experimentar nos actos que a beleza gerará e transformará depois. Elas acordam, provavel­mente, quando ainda somos bastante novos e, sem que nós sai­bamos, começam a ajudar a nossa alma a apear-se em todas as animações do corpo, dando-lhe força e incitando-a à animação e ao cuidado para vivermos através dos seus princípios e da essência da nossa geração. Nesta altura, estaremos a viver entre a Segunda idade e o despertar para a Terceira; estaremos pro­vavelmente numa fase da vida em que pensamos que os seres que dormem e acordam são só os seres vivos que vemos mani­festarem-se nos estados e formas de vida sensível. Afinal, só bastante tempo depois de termos nascido é que sabemos que, desde pequeninos, as estrelas estão dentro de nós, dormindo num sono celestial e girando num movimento intangível, para viverem no lugar onde habita a nossa vida e poderem acordar mais tarde para ajudarem a alma a guiar a nossa existência na sua realização e ainda proporcionarem a geração e criação dos nossos descendentes.

    Nesta idade singular, somos seres em plenitude que cami­nhamos na direcção do infinito, no caminho da luz das estrelas e no caminho da vida que já é sonho e nos vai mostrando algumas partes do seu mistério. Pouco a pouco, vamos come­çando a ver e a sentir de uma forma diferente; vamos come­çando a sentir numa dimensão que excede os sentidos e nos coloca no entendimento e na intuição lúcida da nossa vida estelar. As nossas sensações são agora muito mais dóceis e sen­tidas em quietude no tempo de duração vivido em cada lapso do giro infinito. É como se caminhássemos por uma linha e os pontos de referência mudassem conforme a luz que lhe transmitíssemos, que, sendo espírito, nos acomoda aos vários efeitos e nos torna próximos de cada ser com que nos vamos relacionando no Universo. Este sentimento obtém-se com a mesma leveza com que somos tocados por essências e fra­grâncias, que, vindo de formas puras duma qualquer direcção, nos estabiliza e serena na equidistância de Deus.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 28 a 32.

 

 

When the Stars Awake (8)

 

We say many times that truth is a value that is of value according to what means and to be accepted, it must be objective – facts must speak for themselves. But what value are we talking about, when we talk about truth? We may speak of the truth of knowledge, the truth of time, the truth of space; we can exemplify that it is true that yesterday the weather was better than today, that was false that the Earth was the center of our galaxy and was immobile and that space was absolute and immutable. But what truth is this that we are talking about, except a finite and temporal truth? And if that which is finite may be true, it does not mean that it does not depend on human comprehension in the perfect identification of its referent. Hence, it will tend to be rectified, because it is subject to limitations.

But what is, then, the truth that is eternal? I will say, in a simple thought: what is eternally true is the Infinite Truth with That who is its spirit. The truth of what is finite does not have anything but a limited value and, sometimes, of convention; it ends on its efficacy limit, it is reached through our history, but it is not always evaluated in the same way in all places and changes with the history of times and, many times, by peoples’ will.

It is the habit to the infinite that makes us walk in the truth and with it; even if we are conditioned subjects by our history and participate in what is finite and susceptible of changing with time, we do not accustom ourselves to what seems and we always use our intelligence to guide life to the being, which is what it is, and because it is this way, it participates in eternal life.

Therefore, our education should be to mold ourselves in a donation to values, even to the finite values, like the material or utilitarian ones, which, not being all the time, they are so while they are necessary to us; and if our donation is mainly to the infinite values, to the values that do not end (like in the case of the soul or the spirit, of the truth and the life), man will walk better in truth and he will make everything to avoid the falsehood that is typical of finitude.

An ideal may be a profile, but also a reference; an ideal will be a matrix of thought, by which each one tends to seek a way to arrive with life and with existence to a place where one thinks to dock with safety and find some certainties to their happiness.

By using the elements of nature and by feeling that a part fascinates us and other frightens us, that a part affects our sensitivity in a positive way and other affects us in a negative way, we are induced to see in the negative reason the dangers that occur in our life. Nevertheless, from these we cannot conclude that horror is of natural order or that our sensitivity is perfect in all qualities.  If horror was essence, we would only experience it in abstract, which does not happen at all, since we can notice in the several human tragedies that horror is an effect on the consequences whose causes are mainly of human nature. If horror exists, it is because we are afraid of what may happen to us because we are fragile and humanize too much the dangers. Nature does not have a cruel and revengeful essence; it is us who profane it even more and take from it factors of regeneration and defense, weakening the power of harmony between the balance of the natural forms and the power of its forces. We are excessively adventurers and we dare to challenge all limits without taking into account its need to our equilibrium and better survival. If something tragic happens to us by natural action, it is because we are part of nature and we are subject to it, but that is the exception to the rule of order, and when something tragic happens by natural force, it was because something caused it in the randomness. We cannot say the same regarding the action of man when he exposes himself to dangers and does not consider the limits of his conditions by challenging the power of the Cosmos. Under these conditions, there will be great probabilities of tragic happenings, but the fault is not of nature, because it has origin in man and in the will of him to practice actions of uncontrollable consequences.

At a singular age, the stars awake so that we no longer be under the force of the effect of the conditions that incline us to the social pressures and to the pressure each one already exerts upon oneself throughout their walk with a view to identify oneself with the references of their social identity. From this age, the stars that were previously the sensors of our life are now the lights the spirit makes use of so that the soul does neither stay anymore in the dark nor prisoner in man when lacks him reason.

For very long, the stars sleep within us without us noticing that; within this period of our life, they serve to protect us and to make us more enlightened in the night and stronger in the day; they serve the purposes of the divine force, of courage and beauty; they serve, after all, our own dream, so that we begin to experience it in the acts that beauty will generate and will transform later. They awake, probably, when we are still very young and, without us knowing, they begin to help our soul to rely on every animation of the body, giving it strength and inciting it to animation and to the care to live through its principles and through the essence of our generation. By this time, we will be living between the Second age and the awakening to the Third one; we will be probably in a phase of life in which we think that the beings that sleep and awake are only the living beings that we see manifesting themselves in the states and forms of sensitive life. After all, it is only much time after we are born that we know, since we were very little ones, that the stars are within us, sleeping in a celestial sleep and rotating in an intangible movement, to live in the place where it inhabits our life and to be able to awake later to help the soul guide our existence in its realization and even provide the generation and creation of our descendants.

At this singular age, we are beings in plenitude who walk towards the infinite, in the path of the light of the stars and in the way of life that is already dream and is going to show us some parts of its mystery. Little by little, we begin to see and feel in a different way; we begin to feel in a dimension that exceeds the senses and puts us in the understanding and in the lucid intuition of our stellar life. Our sensations are now much more docile and felt in quietness in the duration time lived within each lapse of the infinite turn. It is as if we walked by a line and the reference points changed according to the light we transmitted to it, which, being spirit, accommodates us to the several effects and makes us closer to each being we mix with in the Universe. This feeling is obtained with the same lightness as that by which essences and fragrances touch us, which, coming from pure forms from any direction, stabilizes us and calm us down in the equidistance of God.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 28 to 32.

 

 

Quando as Estrelas Acordam (7) / When the Stars Awake (7)

12-01-2018 13:20

Quando as Estrelas Acordam (7)

 

    O fogo é uma porção de gás na qual se produzem reac­ções químicas com produção de calor e de luz; acompanha fre­quentemente os fenómenos de combustão; é um exemplo de plasma.[    3    ]

    O conhecimento do fogo por parte do homem deve ser tão antigo como ele próprio.[4] Podia ser observado nos vul­cões que houvesse na região ou também nos incêndios das flo­restas, ocasionados pelos raios, pela fricção dos ramos secos ou pela ignição espontânea. De todos os seres existentes na Terra nenhum animal possui essa habilidade. Não se sabe como conseguiu dominá-lo; parece, no entanto, haver sido num momento bastante prematuro da História. É provável que o homem de Pequim já se servisse desse elemento há 350.000 anos.

    Para além dos seus próprios músculos, o fogo foi a pri­meira fonte de energia de que o homem dispôs. Com ele dava luz e calor à sua gruta, o que permitiu que vivesse na Europa e Ásia durante o último período glacial. A princípio, o fogo infundia temor, pois os incêndios das florestas e pradarias afugentavam as presas do caçador e ameaçavam a sua casa. Porém, uma vez aprendida a arte de “tomá-lo emprestado” à natureza, converteu-se num poder benfeitor, já que servia para afugentar o medo; era tido, portanto, como algo sagrado.

    Quase todas as descrições mitológicas consideram o fogo como um roubo feito aos deuses: o mito grego de Prometeu é a lenda mais conhecida sobre como o homem se apoderou do fogo. Prometeu roubou-o aos deuses e como castigo foi acor­rentado a uma rocha e atormentado por um abutre que lhe foi devorando o fígado.

    O fogo tornou-se assim num símbolo sagrado, que ardia sobre o altar das oferendas para aplacar a ira dos deuses. As chamas elevavam-se como uma súplica de expiação. Na Igreja Cristã, a chama das velas ilumina os altares das igrejas do mundo inteiro. No primeiro dia dos jogos olímpicos da Antiguidade, acendia-se uma chama em honra de Zeus. Em 1936, renovou-se essa tradição: o facho é transladado do templo de Zeus em Olímpia até ao lugar onde se realizam as competições.

    Para que haja combustão com chama são necessários três elementos – material combustível, oxigénio e calor adequado. Quando se coloca de boca para baixo um copo sobre uma vela acesa, quando o oxigénio nele contido é consumido, a chama apaga-se.

    A combustão é uma oxidação. Quando, por exemplo, o carvão é queimado, cada átomo de carbono combina-se com dois de oxigénio. O carvão, então, oxida-se, convertendo-se em bióxido de carbono; para isso tem que consumir oxigénio.

    O fogo é sinal visível de uma reacção química: a subs­tância que arde combina-se com o oxigénio do ar. Só os gases podem arder com chama. Portanto, para que um combustível possa arder com chama, deve ser antes gaseificado.

    Uma substância somente começa a arder quando aquecida a uma determinada temperatura, chamada temperatura de ignição. Na combustão produz-se o calor que mantém a tem­peratura acima do ponto da ignição, de maneira que a reacção possa continuar. Se a temperatura se torna suficientemente alta para que a substância comece a gaseificar-se, aparece, então, o fenómeno luminoso, o fogo. Toda a combustão no ar – com chama ou sem ela – supõe a combinação de uma substância com o oxigénio. A reacção química assim produzida é uma oxidação e as novas substâncias que se formam chamam-se óxidos. Todos os combustíveis comuns contêm obrigatoria­mente carbono. A hulha e o coque são carbono mais ou menos puro; o gás de cidade, o butano, a gasolina, o petróleo e o óleo pesado são compostos químicos de carbono e hidrogénio (hidrocarbonetos).

    Numa combustão completa – em que todos os compo­nentes combustíveis desaparecem –, a partir do carbono forma-se bióxido de carbono (anidrido carbónico); a partir dos hidrocarbonetos forma-se bióxido de carbono e água (que é óxido de hidrogénio). Se a quantidade de oxigénio é insufi­ciente para uma combustão completa, forma-se óxido de car­bono, que é um gás venenoso. O lume de uma lareira, cuja tiragem esteja fechada de forma a que entre pouco oxigénio, pode causar perigosas intoxicações por óxido de carbono. Se a combustão do carvão de pedra e de madeira é muito incom­pleta, forma-se alcatrão. A maioria dos combustíveis contém substâncias minerais que não ardem, subsistindo sob a forma de cinza.

    A cor de uma chama gasosa pura depende da substância que se queima. A chama dos hidrocarbonetos é azul, se há oxi­génio suficiente.

    A coloração é praticamente independente da tempera­tura da chama. Se se substituir o ar por oxigénio puro (por exemplo, num maçarico), a chama vai aquecendo mais e brilha com maior intensidade, porém continua a ser azul. Quando se aquece um corpo sólido, este adopta diferentes cores, segundo a temperatura. As partículas sólidas incandescentes do com­bustível são as que dão cor à chama: do vermelho-escuro (entre 600 e 800 ºC), laranja e amarelo (entre 1100 – 1200 ºC), até ao branco deslumbrante, quando a temperatura ultrapassa os 1500 ºC.

    Do que é dito, não se pode deixar de constatar, apesar de tudo, qual a importância que tem este elemento para a nossa sobrevivência, mas também já se disse que o hábito e o uso fazem valer os valores e permitem identificar a sua origem no sentido da sua função. E se o fogo em certas circunstâncias causa aflição e sofrimento, elas são o produto da nossa acção cultural, que nem sempre tem em conta os efeitos da má apli­cação dos factores da cultura nem tem em conta as leis naturais que são incondicionadas.

    Por outro lado, já vimos que podemos usar as pala­vras para prender a atenção, convencer os outros sobre os nossos desejos, impor de uma forma culta aquilo que que­remos que pensem e gostem, mas perante as leis da natureza não podemos proceder do mesmo modo. Se não prestarmos atenção nem cumprirmos objectivamente com a sua ordem, as consequências negativas são imediatas. Serão atitudes como estas que nos levam a pensar que não somos livres, mas, pen­sando melhor, nós seremos sempre livres se cultivarmos o hábito para a liberdade e demonstrarmos nos usos, seja da natureza ou do homem, que a nossa liberdade está nas pró­prias leis, e é livre quem delas souber fazer uso.

    É, por isso, altura de nos lembrarmos de novo como é importante o hábito para o infinito, pois é ele que conduz à dimensão do espírito, nos aproxima da fonte da verdade e nos faz ver o que somos e que liberdade temos.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 24 a 28.

 


[    3    ] Dicionário Enciclopédico Koogan-Larousse. Selecções do Reader’s Digest, Lisboa, Temas n.º 3: Física e Química, página 189.

[ 4 ] Enciclopédia Combi Visual (Grolier), Volume N.º 4, Temática “O Fogo”, páginas 1 a 5.

 

 

When the Stars Awake (7)

 

Fire is a portion of gas in which chemical reactions are produced with production of heat and light; it often accompanies combustion phenomena; it is an example of plasma.[3]

The knowledge of fire by man should be as ancient as himself.[4] It could be observed in volcanos that were in the region or also on forests’ fires, occasioned by thunderbolts, by the friction of dry branches or by spontaneous ignition. Of all the beings existent on Earth, no animal possesses that ability. No one knows how one managed to tame it; it seems, however, to have been in a very premature moment of history. It is probable that the man of Beijing already made use of that element 350,000 years ago.

Besides his own muscles, fire was the first source of energy man disposed of. With it, he gave light and heat to his cave, which allowed him to live in Europe and Asia during the last glacial period. At first, fire infused fear, since forests and prairies’ fires frightened away the preys from the hunter and menaced his home. However, once learned the art of “borrowing it” from nature, it turned to a beneficent power, now that it served to chase away the fear; it was considered, therefore, as something sacred.

Almost every mythological description consider fire as a theft made to the gods: the Greek myth of Prometheus is the most known legend about how man took hold of fire. Prometheus stole it from the gods, and as a punishment he was chained to a rock and tormented by a vulture that was devouring his liver.

Fire has become thus a sacred symbol, which burned over the altar of offerings to placate the anger of the gods. The flames rose as a supplication of expiation. In the Christian Church, the flame of the candles illuminates the altars of churches all around the world. On the first day of the Olympic games of Antiquity, a flame was kindled in honor to Zeus. In 1936, this tradition was renewed: the torch is transferred from the temple of Zeus in Olympia to the place where the competitions take place.

To exist combustion with flame, it is necessary three elements — combustible material, oxygen and adequate heat. When one puts a glass with the opening upside down over a lit candle, when the oxygen is consumed, the flame goes out.

Combustion is an oxidation. When, for example, coal is burned, each carbon atom combines itself with two of oxygen. Coal, then, oxidates, converting itself into carbon dioxide; for that, it has to consume oxygen.

Fire is a visible sign of a chemical reaction: the substance that burns combines itself with the air oxygen. Only gases can burn with flame. So, for a combustible to be able to burn with flame, if must be gasified before.

A substance only begins to burn when heated to a determined temperature, which is called ignition temperature. In combustion it is produced the heat that maintains temperature above the ignition point, so as to the reaction may continue. In temperature becomes high enough so that the substance starts to gasify itself, then appears the luminous phenomenon, fire. All combustions in the air — with flame or without it — presuppose the combination of a substance with oxygen. The chemical reaction thus produced is an oxidation, and the new substances that are formed are called oxides. All the common combustibles contain necessarily carbon. Coal and coke are carbon more or less pure; city gas, butane, gasoline, petroleum and heavy oil are chemical compounds of carbon and hydrogen (hydrocarbons).

In a full combustion – in which all combustible components disappear –, from carbon is formed carbon dioxide (carbonic anhydride); from hydrocarbons are formed carbon dioxide and water (which is hydrogen oxide). If the quantity of oxygen is insufficient to a full combustion, carbon oxide is formed, which is a poisonous gas. The fire of a fireplace, of which the draft is closed so that little oxygen enters, may cause dangerous intoxications by carbon oxide. If hard coal and wood coal is very incomplete, tar is formed. Most of combustibles contain mineral substances that do not burn, subsisting in the form of ashes.

The color of pure gaseous flame depends on the substance we burn. The flame of hydrocarbons is blue, if there is enough oxygen.

The coloration is practically independent of the temperature of the flame. If we substitute air by pure oxygen (for example, in a blowtorch), the flame is going to heat more and shines with greater intensity; however, it continues to be blue. When we heat a solid body, it adopts different colors, according to the temperature. Solid incandescent particles of the combustible are those that give color to the flame: from dark-red (between 600°C and 800°C [1110°F and 1470°F]), orange and yellow (between 1100°C and 1200°C [2010°F and 2190°F]), up to dazzling white, when the temperature goes beyond 1500°C [2730°F].

From what is said, we cannot stop noticing, in spite of everything, what is the importance that has this element to our survival, but also was already said that the habit and the custom make worth the values and allow to identify their origin in the sense of their function. And if fire, in certain circumstances, causes affliction and suffering, they are the product of our cultural action, which not always takes into account the effects of the bad application of the factors of culture nor takes into account the natural laws that are unconditioned.

On the other hand, we have already seen that we may use words to rivet attention, to convince the others of our wishes, to impose in a cult way that which we want them to think and like, but before the laws of nature we cannot proceed in the same mode. If we do neither pay attention nor comply with its order, the negative consequences will be immediate. It will be attitudes like these that lead us to think, but, thinking better, we will be always free if we cultivate the habit to liberty and demonstrate in the customs, be they of nature, be they of man, that our liberty is in the very laws, and is free the one who knows how to make use of them.

It is, therefore, time for us to remember again how it is important the habit to the infinite, since it is it that leads to the dimension of spirit, that bring us closer to the source of truth and make us see what we are and what freedom we have.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 24 to 28.

 


[3] Koogan-Larousse Encyclopedic Dictionary. Selections from Reader’s Digest, Lisbon, Themes N.º 3: Physics and Chemistry, page 189.

[4] Visual Encyclopedia Combi (Grolier), Volume N.º 4, Theme “Fire”, pages 1 to 5.

 

 

 

Reflexão e agradecimento / Reflection and gratefulness

20-12-2017 21:40

Reflexão e agradecimento

 

    Desde há muito tempo que venho sentindo e mantendo a convicção de que um dia poderei vir a adquirir definitivamente a capacidade espiritual necessária para a compreensão de grande parte do que vou desejando de mais importante para a minha vida, isto é, vir um dia a conseguir obter o saber verdadeiro sobre a essência daquilo que realmente é (sem qualquer dúvida), para então ser capaz de interpretar com a nitidez o que vou sentindo no meu interior, sobre certos aspetos da transcendência da minha vida. Desejava poder deixar de senti-los como ainda os sinto, quase sempre de um modo intermitente e não constante e permanente, para então, a partir daí, ser capaz de os poder sentir com constância e clareza e de os poder avaliar com perfeição.

    A propósito e para prova do efeito da reflexão desejada, começa desde já por ressaltar em mim uma dessas preocupações, uma das tais que há muito me interpelam e que consiste em poder conhecer e sentir verdadeiramente o valor espiritual que terá a expressão: “De graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8.)

    É natural que no absurdo me penitencie nesta limitação, contudo, não deixarei de dizer que ao longo da minha vida tenho procurado sempre ser mais do que aquele aluno que se limita a ficar pela normalidade e não luta para ir mais além na escuta e compreensão de tal mensagem. Pois com a consciência inquieta e num esforço permanente, tento libertar-me de mim mesmo, esforço-me por fugir da assunção de culpa, por abstinência ou renúncia na procura. Todos os dias vou aspirando com grande fé a que me torne sempre e em todas as ocasiões absolutamente no “Eu sou” e no “eu pareço”, e não no contrário: “Eu pareço, mas eu não sou!”

    Nesta expectativa, continuo com grande insistência a evocar diariamente a sabedoria e a trabalhar pensando e escrevendo com afinco e total desprendimento de mim mesmo, para poder vir a melhorar tanto quanto possível em tal dependência, ou seja, continuando a fazer um grande esforço para compreender esta inquietação e aplicar com consciência plena e melhor a expressão: “De graça recebestes, de graça dai.” (Mateus 10:8.)

    Porém, apesar de todas estas preocupações, decidi nesta ocasião e neste Período natalício, que é tão sublime para a Humanidade, colocar de lado a reflexão sobre a minha inquietação da questão evangélica referida.

    Assim, proponho antes na oportunidade agradecer a todos vós do fundo do meu coração, pois são já tantos aqueles e aquelas a quem devo desde há muito um agradecimento sentido e de elevado reconhecimento, pela dedicação com que me vão gratificando lendo o que vou escrevendo e ouvindo o que vou dizendo, fazendo-o sempre com a serenidade e a paciência necessárias, sinal que em silêncio me faz meditar e agradecer, tornando-me frágil em certas ocasiões, pois sou humano e isso, por muito que me esforce, sempre me comoverá, mas também me compensará e me ajudará a continuar a caminhar por aí!...

    Peço desculpa por tender a manter-me num certo anonimato e não responder de modo particular à amizade que me dedicam; contudo, ainda que ficando em silêncio, desejo que vejam neste meu gesto um sentimento universal de gratidão, pois sempre que posso, não me esqueço de ver nenhum pormenor ou comentário que façam, e acreditem que fico às vezes a desejar ser menos impessoal, daí que apelo nas minhas preces para que me torne capaz de fazer com que todos sintam da mesma maneira tudo o que eu sinto de satisfação e também que eu seja capaz de dizer em espírito tudo o que me vai na alma, e que o possa fazer apenas numa folha de papel em branco, uma folha onde pudessem ler e sentir em cada gesto de modo totalmente puro o tal sentimento “De graça recebestes, de graça dai”.

    Porém, nesses vossos gestos de amor e caridade com os quais me vão gratificando e engrandecendo, ficarei eternamente reconhecido, e por isso com a mais profunda gratidão deixar-me-ei libertar no infinito, permanecendo na confiança de saber que em nenhuma situação estaremos sós, continuando na esperança de corresponder com a mesma adoração e com o mesmo sentido para cumprir no Amor por Aquele que É tudo em todos, mesmo que só comunique convosco deste modo e de vez em quando, pedindo desde já que Ele faça por mim o que eu não for capaz, sobretudo para o melhor da Humanidade!

 

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

 

 

 

Reflection and gratefulness

 

Since long ago I have been feeling and keeping the conviction that one day I may acquire definitely the necessary spiritual capacity to the comprehension of great part of what I am wishing of most important to my life, that is, to manage one day to obtain the true knowledge about the essence of what really is (without any doubt), so that then I am capable of interpreting with clearness what I am feeling in my inside, about certain aspects of the transcendence of my life. I would like to stop feeling them like I still feel them, almost always in an intermittent way, but not constantly nor permanently, to then, from there, be capable of feeling them with constancy and clarity and of evaluating them with perfection.

Apropos and for evidence of the effect of the desired reflection, it starts right now to stand out in me one of those concerns, one of those that since long ago interpellate me and that consist in being able to know and feel truly the spiritual value that will have the expression: “Freely you have received; freely give.” (Matthew 10:8.)

It is natural that in the absurd I do penance in this limitation; however, I will not omit to say that throughout my life I have been always seeking to be more than that pupil who limits himself to stay by the normalcy and does not fight to go further in the listening and comprehension of such message. Since, with the conscience unquiet and in a permanent effort, I try to free me of myself, I strive to run away from the assumption of guilt, by abstinence or renounce in the search. Every day I aspire with great faith to become always and on all occasions absolutely the “I am” and the “I seem”, but not the otherwise: “I seem, but I am not!”

In this expectation, I continue with great insistency to evoke daily the wisdom and to work thinking and writing doggedly and with full generosity, so that I may better myself as far as possible in such dependence, that is, continuing to make a great effort to understand this inquietude and to apply with full conscience and better the expression: “Freely you have received; freely give.” (Matthew 10:8.)

However, despite all these concerns, I have decided on this occasion and within this Cristmassy Period, which is so sublime to Humanity, to put aside the reflection about my inquietude of the referred evangelical question.

Thus, I propose rather in the opportunity to thank you all from the bottom of my heart, since are already so many those to whom I owe for so long a heartfelt thankfulness and of elevated acknowledgement, for the dedication with which you are gratifying me reading what I am writing and listening to what I am saying, doing it always with the necessary serenity and patience, a sign that in silence makes me meditate and thank, turning myself fragile on certain occasion, for I am human and that, no matter how much I strive, will always touch me, but will also compensate me and will help me to continue to walk around!...

I apologize for tending to keep myself within a certain anonymity and to not respond in a particular way to the friendship you dedicate me; however, even though remaining in silence, I wish that you see on this gesture a universal feeling of gratitude, since everytime I can, I do not forget to see any detail or comment you make, and believe me that sometimes I get to wish to be less impersonal, hence I appeal in my prayers to become myself capable of making everyone feel the same way everything I feel of satisfaction and also may I be able to say in spirit all that goes in my soul, and may I do it only in a blank sheet of paper, a sheet where someone could read and feel in each gesture, in a fully pure manner, that feeling Freely you have received; freely give”.

However, with these love and charity gestures of yours, with which you are gratifying me and dignifying me, I will be eternally grateful, and therefore, with the most profound gratefulness I will let myself free in the infinite, remaining in the trust of knowing that in no situation we will be lonely, continuing in the hope of corresponding with the same adoration and with the same sense to fulfill in the Love for that Who Is everything in everyone, even if I only communicate with you in this way and from time to time, asking right away that He does for me what I cannot, especially for the best of Mankind!

 

MERRY CHRISTMAS AND A HAPPY NEW YEAR!

 

                              

 

 

Quando as Estrelas Acordam (6) / When the Stars Awake (6)

15-12-2017 17:08

Quando as Estrelas Acordam (6)

Macedo Teixeira

    Este hábito para o infinito está latente em nós, seja qual for a matriz da nossa origem e não serão os usos e costumes que o impedirão de revelar-se plenamente, a não ser que na nossa educação não haja o cuidado de nos exercitar a desco­brir e relacionar de modo interactivo as potencialidades da ordem natural, pois neste caso, o uso que faremos deste hábito colocar-nos-á, apenas, na finitude do que é vulgar e não nos proporcionará uma visão para além do concreto. A urbani­dade trouxe a ansiedade e a distância pelos campos, porque os fomos deixando ao longo da nossa história para viver melhor nas cidades ou então, deles só temos imagens, pois conhe­cemos muito pouco onde são cultivados os alimentos que comemos. A urbanidade não trouxe a essência no seu estado puro, para tornar a existência no que ela tem de mais humano e, em consequência, mais afectivo, emocional e próximo. A essência terá de ser plena em toda a Terra e os nossos usos, de tão urbanizados que estão, levam-nos a vê-la e a senti-la, não como ela é, mas de acordo com a vida social que vivemos no dia-a-dia. O hábito de comunicar leva-nos à fala, mas o sen­tido que procuramos pode não exceder o uso das palavras, quando estas apenas impressionam e prendem, de acordo com a nossa vantagem e, em qualquer lapso de tempo, em que comunicamos. O hábito para o infinito torna-se fundamental em todas as situações, mas destacando-se, neste caso, pelo uso das palavras mais emocionais e afectivas que apelam para os sentimentos do coração e da subjectividade pessoal; esta será a lógica principal da proximidade dos seres humanos para a abertura do Eu ao Outro. Será, também, o melhor modo de interacção no momento inicial da comunicação, embora, logo que completamente conscientes e relacionados no assunto, devamos procurar seleccionar os sentidos, para que o uso das palavras reflicta as formas racionais e elevem o nosso pen­samento ao seu estado natural e às situações a viver na mais valiosa impessoalidade. A comunicação deverá fazer-se para caminhar ao encontro das soluções necessárias à vida e para descobrir como remediar o que falta ou aumentar o que já temos por não ser suficiente.

   A busca das decisões que temos que tomar na caminhada para o encontro da nossa vida impele-nos a viver através do espírito, abre-se para a razão e entendimento e pode tornar-se acto puro na subida à intuição. É uma busca que desejamos, porque temos sede da união desta força, que ganha sentido, logo que o nosso entendimento atinge a compreensão de que somos os seres mais elementares dos sonhos que queremos rea­lizar. Mas esta abertura do pensamento não a atingimos sem a nossa opção voluntária para esta caminhada e sem a ajuda do Guia, que nos orienta e não nos deixa perder, quando come­çamos a procurar as marcas dos passos que já demos até este novo momento da nossa existência. Quando começamos voluntariamente a compreender que só estaremos próximos desse encontro e da sua plenitude, quando dos passos que dermos com o corpo, passarmos pela ordem biológica, atin­girmos a ordem psicológica e avançarmos até à dimensão espi­ritual, na qual passaremos a viver em comunhão com o espírito Daquele que É o Caminho, a Verdade e a Vida. Nessa altura, nós estaremos próximos, ou já no seu caminho, pois Ele ajudar­-nos-á na abertura da nossa vida espiritual. Sem esta convicção e possibilidade, não procuraríamos nem correríamos alguns perigos psicológicos que esta mudança de ordem implica em determinados momentos da vida em que não somos ainda seres muito estáveis. Nesta nova ordem e nesta outra cami­nhada estaremos já na proximidade espiritual, mas a sede pela força, que vem agora do espírito, ainda só será saciada por pouco tempo e só em certas ocasiões. Por este motivo, volta­remos ao mesmo estado de ansiedade e de grande tensão, enquanto esta comunhão não se fizer sempre com a sua acção e presença; enquanto não alcançarmos Aquele, que é a fonte donde brota a vida que nos fará sentir plenamente e em todo o tempo que vivermos. E se o guia nos orienta e não nos deixa perder, isso significa que somos voluntários no caminhar até si e que é esta caminhada que nos reunirá na conjugação dos sentidos e da razão e nos mostrará a espiritualidade noutras singularidades da imagem de expressão infinita que glorifica o nosso corpo e a nossa alma. Será também nesta caminhada que nos abrigamos no reflexo do sonho que se alcançará, quando nos encontrarmos com Aquele, que nos ensinará a beber pela nossa própria mão, da fonte donde brota o espí­rito, que liga o nosso ser noutra dimensão da vida e faz com que o nosso amor seja a mais profunda expressão desta ligação.

   Quando as estrelas acordam estamos integrados em todas as partes e formamos um todo indivisível e imutável. Porém, todo aquele que atinge esta plenitude já não poderá reger-se só pelas faculdades que lhe permitem o sentimento e o conhe­cimento; terá de acreditar pela fé que viver plenamente é viver a realidade, mas também o sonho, e estes elementos experi­mentam-se pelo que se vê e se faz, com uso na acção das facul­dades e, em especial, pela acção do espírito que recebe o poder da sua própria fonte. Não é que não se deva considerar impor­tante todo o ideal, ele tem a ver com o nosso querer e, sem ele, não teríamos referências, perder-nos-íamos no nosso espaço e no nosso tempo. Mas se a vida é expressão do espírito e da sua força, por que não viver melhor através destas realidades, sem nos fixarmos em qualquer poder transitório, vivendo sós e só aparentemente bem? E por que não caminhar com todas as nossas forças até ao Senhor da Fonte, para nos ligarmos a Ele e beber do espírito que nos santifica a vida e faz com que não voltemos a ter a tal sede, que nos torna tão ansiosos e sempre tão confusos? Caminhar, afinal, com um ideal espiritual, que a idealidade no pensamento será a matriz original e origi­nária da vontade de nos tornarmos na imagem e semelhança daquele que sonhamos ser. Quando se diz que a Terra tem mis­térios e riquezas incontáveis, referimo-nos quase sempre ao que nos deslumbra e agrada ou ao que é imediatamente neces­sário à nossa sobrevivência, como por exemplo: a água, sau­dável da vida e da terra, o ar, o fogo, etc. Elementos naturais que apreciamos mais pelo lado do equilíbrio da ordem. Porém, existem nestes elementos as forças dos grandes perigos, eles não são em tudo muito afectivos e apetecíveis e, em certas situações, são até medonhos e causam cenas de muito horror. Qualquer dos elementos enumerados serviria para provar os nossos sentimentos de medo, mas para uma prova mais ime­diata, poderemos eleger o fogo, como fenómeno destas angús­tias e contradições.

 

Macedo Teixeira, Quando as Estrelas Acordam, Sítio do Livro, Lisboa, Julho de 2014, pp. 21 a 24.

 

 

When the Stars Awake (6)

Macedo Teixeira

This habit to the infinite is latent in us, whatever may be the matrix of our origin and it will not be the customs and traditions that will impede it of revealing itself fully, unless that in our education there is not the caution of exercising ourselves in discovering and relating in an interactive way the potentialities of the natural order, since in this case, the use that we will make of this habit will place us, only, within the finitude of what is vulgar and will not provide us a view beyond what is concrete. Urbanity brought the anxiety and the distance from the fields, because we were letting them throughout our history to live better in the cities or else, of them we only have pictures, since we know very little where the food we eat is cultivated. Urbanity did not bring the essence in its pure state, to turn the existence into what it has of more human and, consequently, more affective, emotional and closer. The essence will have to be complete on all Earth, and our customs, because they are so urbanized, lead us to see it and feel it, not as it is, but accordingly to the social life we live day by day. The habit of communicating takes us to speech, but the meaning we seek may not exceed the use of the words, when these only impress and captivate and, in any lapse of time, in which we communicate. The habit to the Infinite becomes fundamental in all situations, but standing out, in this case, by the use of more emotional and affective words that appeal to the feelings of the heart and of personal subjectivity; this will be the main logic of the closeness of human beings to the openness of the Self to the Other. It will be, also, the best way of interaction at the initial moment of communication, even though, as soon as we are completely aware and related with the subject, we should try to select the meanings, so that the use of the words reflects the rational forms and elevate our thought to its natural state and to the situations to live in the most valuable impersonality. Communication should be made to go in search of the solutions necessary to life and to discover how to remediate what is missing or to increase what we already have because it is not enough.

The search for the decisions we have to take in the walk towards the meeting of our life impels us to live through the spirit, opens itself to reason and understanding, and may become a pure act in the ascent to intuition. It is a search that we desire, because we have thirst for the union of this force, which gains meaning, as soon as our understanding reaches the comprehension that we are the most elementary beings of the dreams we want to fulfill. But this opening of the thought, we do not reach it without our voluntary option to this walk and without the help of the Guide, Who guides us and does not let us lose ourselves, when we begin to look for the marks of the steps we have already taken until this new moment of our existence. When we begin voluntarily to understand that we will only be closer to that meeting and its plenitude, when from the steps we take with our body, we will go through the biological order, reach the psychological order and move ourselves to the spiritual dimension, in which we will start living in communion with the spirit of That who Is the Way, the Truth and Life. By that time, we will be closer, or already in his way, since He will help us in the opening of our spiritual life. Without this conviction and possibility, we would neither seek nor run some psychological risks that this change of order implies at certain moments of life in which we are not yet very stable beings. In this new order and in this other walk, we will be already in the spiritual closeness, but the thirst for strength, which comes now from the spirit, will still only be quenched for a little time and only on certain occasions. Because of this motive, we will return to the same state of anxiety and of great tension, while this communion is not made always with its action and presence; while we do not reach That, who is the source from where spouts the life that will make us feel fully and at all the time we live. And if the guide directs us and does not let us lose ourselves, that means that we are voluntary in the walk towards him and that this is the walk that will reunite us in the conjugation of the senses and reason, and will show us the spirituality in other singularities of the image of infinite expression that glorifies our body and our soul. It will also be in this walk that we shelter ourselves in the reflection of the dream that we will reach, when we will meet with That, who will teach us to drink from our own hands, from the source the spirit spouts from, which connects our being to another dimension of life and makes our love be the most profound expression of this connection.

When the stars awake, we are integrated in all parts and we form an undividable and immutable whole. However, everyone who reaches this plenitude can no longer guide themselves only by the faculties that allows them the feeling and the knowledge; they will have to believe by faith that to live fully is to live reality, but also the dream, and these elements are experienced by what one sees and does, with the use in action of the faculties and, in special, by the action of the spirit that receives the power from its own source. It is not that we should not consider important every ideal, it has to do with our will and, without it, we would not have references, we would lose ourselves within our space and within our time. But if life is the expression of the spirit and its strength, why not live better through these realities, without us fixing ourselves on any transient power, living alone and apparently well? And why not walk with all our strengths to the Lord of the Source, so that we connect ourselves to Him and drink from the spirit that sanctifies our life and makes us not to have thirst again, which make us so anxious and always so confused? To walk, after all, with a spiritual ideal, because ideality in thought will be the original matrix and originary of the will to become the image and similarity of that who we dream to be. When we say that Earth has uncountable mysteries and richnesses, we almost always refer to what dazzles us and pleases us or to what is immediately necessary to our survival, like for example: water, healthy of life and of the earth, air, fire, etc. natural elements that we appreciate more by the side of the equilibrium of the order. However, there are in these elements the forces of great dangers, they are not in all very affective and appetizing and, in certain situations, they are even very frightening and cause scenes of much horror. Any of the enumerated elements would serve to prove our feelings of fear, but for a more immediate proof, we may select fire, as a phenomenon of these anguishes and contradictions.

 

Macedo Teixeira, When the Stars Awake, Sítio do Livro, Lisbon, July 2014, pages 21 to 24.

 

 

1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>